TRF-4 enfrenta Supremo Tribunal Federal para punir Lula

Ao ignorar decisão do STF, desembargadores abrem novo capítulo na novela jurídica que se arrasta, tendo como conflito a condenação do ex-presidente

Desembargadores foram unânimes ao aumentar pena de Lula

Desembargadores foram unânimes ao aumentar pena de Lula

Sylvio Sirangelo/TRF4 - 27.11.2019

Para os de direita e os de esquerda, não há ser humano mais desprezível que o isentão. Pois trago verdades aos extremistas: renovem o estoque de inimigos e agradeçam ainda existir gente disposta a manter alguma neutralidade diante da sucessão de avalanches que vem soterrando o Estado brasileiro.

A decisão do TRF-4 nessa terça-feira (26) vem somar-se à balbúrdia que impede o brasileiro de entender, afinal, o que está acontecendo. Sem essa premissa, a do entendimento, estranho é alguém conseguir manter posição e saber como vai acabar essa esbórnia em que nos metemos.

Os desembargadores, simplesmente, decidiram ignorar decisão do Supremo Tribunal Federal – a de que delatados, como Lula, devem ser ouvidos após os delatores (o que não ocorreu no processo do sítio). Em resumo, a novela ganhou mais um capítulo e adiou-se o final da interminável temporada.

Não é preciso entrar no mérito da culpa ou não do ex-presidente. Até seus apoiadores sabem que na ação de Atibaia há mais evidências de favorecimento, fora a quase dezena de outras acusações que em algum momento voltarão a ameaçar a liberdade do petista.

Isso é irrelevante para os cidadãos mais interessados em recuperar a ordem jurídica e alguma previsibilidade no funcionamento normal das instituições. Bons tempos em que todo e qualquer brasileiro sabia: “decisão do Supremo não se discute, cumpre-se”.

As questões políticas e partidárias são as que deveriam aparecer por último nessas circunstâncias. Quem acha que Lula é o maior ladrão da história deste país vai domir com sua sede de vingança saciada. Hoje.

A imensa maioria da população já percebeu que há coisas mais importantes e que dizem respeito a todos. O fim dessa batalha jurídica é uma delas. Pouco provável que, no curto prazo, haja essa pacificação. E amanhã?