R7 Planalto Vidas importam, empresas importam, empregos importam    

Vidas importam, empresas importam, empregos importam    

Veto presidencial às desonerações levaria setores estratégicos a recolher à Previdência 20% sobre a folha, em vez da faixa emergencial de 1% a 4,5%

O setor de construção é um dos afetados com o veto às desonerações

O setor de construção é um dos afetados com o veto às desonerações

Joel Silva/ Folhapress - 29.11.2017

O veto de Bolsonaro à prorrogação, até o fim de 2021, da desoneração da folha de pagamentos de 17 setores estratégicos da economia enfrenta forte resistência de congressistas e empresários de grosso calibre. Pouco provável que o presidente desconheça essa movimentação ou esteja despreparado para uma nova rodada de negociações – que já se impôs.

Os economistas mais cautelosos projetam para este ano uma queda do PIB da ordem de 4,7%. São cálculos otimistas frente aos dos que avaliam que o baque pode chegar a 7,4%, como a OCDE. A isso se somam os 7,8 milhões de postos de trabalho já aniquilados até o mês de maio, segundo o IBGE.


Lideranças de grandes associações já aumentaram o tom do debate e afirmam que o governo federal está quebrando um acordo firmado no Congresso. O veto à desoneração retira um benefício para manter a competitividade de áreas como a de calçados, call centers, comunicação, confecção, construção, veículos, máquinas, proteína animal, TI e transportes.

Empresas desse porte recolhem à Previdência de 1% a 4,5% da receita. Com o fim da desoneração, voltariam a contribuir com 20% sobre a folha, algo considerado impraticável em um cenário de tamanha adversidade.

O mais provável é que de forma célere os agentes envolvidos saibam que o ministro da Economia, Paulo Guedes, já imaginava a reação da sociedade e agora aguarda o melhor momento para impor alguma contrapartida.

A especulação que mais uma vez toma corpo é a de compensar a sangria nos cofres federais com a criação de um novo imposto – na verdade um velho conhecido dos brasileiros, a famigerada CPMF.

O que não temos é tempo. Cabe ao governo aceitar as fortes evidências de que o estado brasileiro tem de ser ágil e ditar os rumos que ajudem o País a atravessa essa crise sem precedentes.

Vidas importam. Empresas importam. Empregos importam.

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