China

Após 24 anos, família se emociona ao reencontrar filho desaparecido

O drama do desaparecimento de crianças é comum em todo mundo e a quantidade de casos chama atenção

Em 21 de setembro de 1997, o casal Guo Gangtang e Zhang Wenge viveu o momento mais difícil de suas vidas. Nessa data, o filho deles, Guo Xinzhen, de apenas 2 anos, foi sequestrado.

A mãe estava cozinhando e o menino brincando na porta de casa quando uma mulher apareceu e o levou. Desde então, a família mobilizou diferentes campanhas para tentar localizá-lo. O pai chegou a percorrer mais de 500 mil quilômetros de bicicleta atrás do filho. O drama chegou a virar filme de cinema.

Mas, esta semana, 24 anos depois, a família finalmente se reencontrou. A polícia entrou em contato com o casal e disse ter localizado Guo Xinzhen em uma comunidade próxima a que eles moram. Além disso, informaram que prenderam duas pessoas que confessaram o crime.

Após 24 anos de buscas família reencontra filho que estava desaparecido

Após 24 anos de buscas família reencontra filho que estava desaparecido

Reprodução

O vídeo e as fotos da família reunida novamente emocionam. Em lágrimas eles se abraçam e falam: "Nós encontramos você, você voltou".

Drama real e comum

Apesar de não ter dados oficiais sobre crianças sequestradas na China, uma publicação do jornal The New York Times afirma que mais de 70 mil pequenos desaparecem por ano no país. Um dos princpais motivos seria a política chinesa no que se refere ao rígido controle do número de filhos. Por conta disso, um mercado paralelo se fortaleceu e os criminosos vendiam crianças sequestradas, principalmente meninos.  

No Brasil, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 40 mil crianças desaparecem por ano. Mas, como as polícias de cada estado possuem seus próprios bancos de dados, nem sempre eles são enviados para o cadastro nacional, então, esses números podem ser ainda maiores. 

No nosso país, os especialistas citam motivos variados para o desaparecimento das crianças que vão desde a prática de crimes, como pedofilia, tráfico de órgãos, trabalho escravo infantil e adoção ilegal até um sumiço voluntário, por conta de maus-tratos sofridos em casa. 

Todo cuidado é pouco

Só quem já teve que lidar com o desaparecimento de alguém querido entende a dor de não saber onde aquele familiar está. É igual ou pior que a dor do luto. A incerteza se aquela criança vai ou não voltar para casa corrói e causa muitos danos emocionais. Assim, a grande maioria dos familiares se torna depressiva. Tomam remédios para dormir, para ficarem acordados, para controlar a ansiedade.

Guo Xinzhen foi sequestrado quando brincava na porta de sua casa, quando tinha apenas dois anos

Guo Xinzhen foi sequestrado quando brincava na porta de sua casa, quando tinha apenas dois anos

Reprodução

Por isso, além das ações do Estado, diferentes grupos, organizações sem fins lucrativos e ações sociais se solidarizam para ajudar as famílias nessa busca. 

Mas, precisamos investir mais nessa área e pensar em novas políticas de resposta sobre os casos já existentes, além de investir mais na prevenção e na conscientização para que haja uma diminuição de novos desaparecimentos.

São diversas atitudes que precisam ser tomadas, começando pelo cuidado com a segurança das crianças. Afinal, criança não pode ficar sozinha um minuto sequer. Também seria muito importante desenvolver uma série de ações de divulgação entre o poder público e a sociedade para que aquelas que já estão desaparecidas sejam localizadas.

15% dessas crianças não retornam para os seus lares. Não podemos nos conformar com isso.

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