Cenas de Yara em Amor Sem Igual refletem a realidade de muitas mulheres

Vítimas de violência doméstica enfrentam medo e vergonha para denunciar

Em Amor Sem Igual, a personagem Yara, interpretada por Iara Jamra, vive um desafio comum a muitas mulheres. Após descobrir a traição do marido, Ernani, interpretado por Paulo Reis, foi humilhada e agredida.

Na cena que foi ao ar ontem, dia 14, Ernani descumpriu a medida protetiva e aproveitou que todos estavam no casamento de Fernanda e Pedro para se vingar de Yara. Ele voltou a agredir a ex-mulher pela denúncia de violência doméstica.

A amiga de Yara, Marly, interpretada por Márcia di Milla, se esforçou para chamar a polícia (pois tem dificuldade para falar) e conseguiu salvar sua vida. Ernani fugiu ao ver a polícia chegar e Yara revelou ter medo de fazer outra denúncia contra o agressor. Mais do que violência física, a personagem também sofreu pressão psicológica ao ser ameaçada de morte.

Apesar de Yara ter denunciado o marido na primeira vez, ela mostrou receio de voltar à delegacia quando sofreu uma nova agressão

Apesar de Yara ter denunciado o marido na primeira vez, ela mostrou receio de voltar à delegacia quando sofreu uma nova agressão

Reprodução/ Record Tv


Medo comum

Os números de violência doméstica são alarmantes. Somente na pandemia uma mulher foi morta a cada nove horas. Mas, muitos casos não entram para as estatísticas porque não são denunciados.

Um dos motivos é o medo de que, no momento da denúncia, a mulher seja desacreditada. Outro problema comum é como a figura do agressor se comportará após saber.

Às vezes, a vítima tem um vínculo financeiro e emocional com aquele homem. E até mesmo se sente culpada pelo relacionamento abusivo que vivencia.

Assim, assumir que a relação tem problemas é um passo difícil para muitas. A vergonha de expor as agressões é uma barreira que precisa ser rompida para encerrar o ciclo de violência.

Nos últimos anos, esse tema tem sido mais debatido. Somente com discussão, ajuda e proteção mais vítimas se sentirão confortáveis para falar sobre o assunto e conseguir denunciar.

Preste atenção nos sinais

É muito importante saber que o abusador demonstra sinais de agressividade. Psicólogos reforçam que no namoro já é possível notar as características (mesmo que sutis) que revelam que aquela pessoa não tem controle emocional.

Por isso, não se pode aceitar ouvir xingamentos porque, com o passar do tempo, tendem a virar agressões físicas. Se a pessoa aceita o estelionato e a traição, por exemplo, provavelmente acontecerão posteriormente o abuso físico e verbal. Isso porque, quando se percebe que a vítima é insegura e não tem amor-próprio, o outro (que não tem caráter obviamente) se sente no direito de desrespeitar da forma que quiser. É importante que a mulher aprenda a se amar.

Denuncie

Para interromper o ciclo de violência, a denúncia é essencial, porque, quando a vítima não procura ajuda das autoridades, a tendência é de que a violência aumente e termine em morte (feminicídio).

As mulheres não devem se calar, por mais difícil que seja. Pedir ajuda é o primeiro passo para conseguir sair da condição de agressão. Não se pode deixar o agressor no anonimato. No Brasil, há mais de 10 anos, os casos de violência doméstica podem ser denunciados pelo número 180.

A novidade dessa quarentena, segundo a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, é que existem outras ferramentas. Hoje, basta acessar o site ouvidoria.mdh.gov.br ou baixar o aplicativo Direitos Humanos Brasil para registrar a denúncia. É possível, inclusive, anexar fotos, vídeos e demais documentos que comprovem a situação de violência.

Pesquisas revelam que na maioria dos casos de feminicídios, a vítima não denunciou agressões anteriores

Pesquisas revelam que na maioria dos casos de feminicídios, a vítima não denunciou agressões anteriores

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É preciso também que pessoas próximas à vítima também denunciem. Nesse período de pandemia, quando temos mais pessoas em casa, os vizinhos e familiares não podem se anular. Tem que denunciar. A própria ministra Damares Alves reforça que é preciso parar com esse negócio de ‘ninguém mete a colher’.

Depois da denúncia, a mulher precisa aprender a recomeçar a vida longe do agressor. É necessário que a vítima pare de se culpar e comece a escrever uma nova história.

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