"China faz espionagem com o 5G", alerta ex-embaixadora dos EUA

Samanta Power demonstrou preocupação com relação a decisão do Brasil. Entenda a polêmica sobre a nova tecnologia

A ex-embaixadora dos Estados Unidos na ONU (Organização das Nações Unidas), Samanta Power, indicada por Joe Biden para comandar a USaid, maior agência de desenvolvimento do mundo, afirmou recentemente que a China usa a rede 5G para "espionagem comercial".

Ela também ressaltou que os EUA já alertaram o Brasil para que o país não fique "vulnerável aos caprichos do governo chinês". Além disso, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, acrescentou que o Partido Comunista Chinês se aproveitou do coronavírus para ganhar projeção global e aumentar sua influência no mundo.

"A China foi muito pragmática com os países aos quais forneceu EPIs, e quase sempre pediu algo em troca. Por exemplo: ‘Preciso que façam uma canção elogiando a China pelos EPIs que forneceu’", revelou a ex-embaixadora.

O debate sobre o 5G  inclui dúvidas sobre segurança derede e espionagem

O debate sobre o 5G inclui dúvidas sobre segurança derede e espionagem

Thinkstock

Essa é uma atitude comum do país chinês. Especialistas e estudiosos mostram que muitos locais recebem recursos chineses em troca de influência e "favores". O Sri Lanka, por exemplo, estrategicamente situado no Oceano Índico, pediu um empréstimo de bilhões de dólares à China e, por não conseguir pagar, teve que conceder um arrendamento, ou seja, uma concessão, de 99 anos de seu porto, permitindo assim com que a China ampliasse sua estratégia de poder.

Além de uma simples novidade

Dessa forma, o 5G não se trata apenas de uma tecnologia que permitirá avanços. O debate também é político e inclui muitas dúvidas: será que a afirmação de Samanta Power é verdadeira? Como ficará a segurança da rede quando ele for implementado?

A gigante Huawei, cotada para ser a responsável pelo processo, vem sendo questionada sobre sua confiabilidade, já que há grandes suspeitas de que seus equipamentos seriam usados pelo Partido Comunista Chinês para espionar as pessoas ao redor do mundo. A relação que as empresas chinesas têm com o governo é diferente da relação de outras empresas, de países com regimes democráticos, com seus respectivos governos. Isso porque a China é uma ditadura controlada por um único partido. Lá, podemos considerar o sistema como capitalista de estado, ou seja, o governo controla a maior parte das empresas. 

A ex-embaixadora dos EUA, Samanta Power, afirmou que se o Brasil fizer parceria com a China em relação ao G5 ficará vulnerável

A ex-embaixadora dos EUA, Samanta Power, afirmou que se o Brasil fizer parceria com a China em relação ao G5 ficará vulnerável

Reprodução

A desconfiança aumentou ainda mais nesta pandemia, quando as autoridades chinesas demoraram muito para admitir a gravidade da covid-19. Afinal, até que ponto podemos acreditar nas informações divulgadas por Pequim?

Apesar de negar as acusações, a Huawei já foi banida do 5G do Reino Unido, França, Itália, Estados Unidos. Atualmente, as principais concorrentes da gigante chinesa são as empresas europeias, Ericsson e Nokia, que têm capacidade para a instalação das redes, mas os custos são maiores.

A espionagem no dia a dia

É fato que a empresa responsável pela comunicação 5G exercerá um poder e influência geopolítico e econômico muito forte, isso porque a rede terá um papel determinante nos mais diferentes sistemas e no que chamamos de "internet das coisas", conceito que permite a conexão digital de objetos do cotidiano, como da geladeira de casa aos carros e semáforos da rua.

Diversos recursos de comando dos smartphones e computadores conseguem ouvir ou ler conversas

Diversos recursos de comando dos smartphones e computadores conseguem ouvir ou ler conversas

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Diante desse cenário, é importante saber que existe um sistema amplo de espionagem em todo mundo. O chamado Five Eyes, liderados pela National Security Agency (NSA) americana, por exemplo, pode ser considerado um dos maiores sistemas de espionagem global, capaz de interceptar qualquer tipo transmissão. A origem dessa rede se deu na Segunda Guerra Mundial e reúne países como o Canadá, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Austrália e a Nova Zelândia.

Ao mesmo tempo, a China também possui um amplo sistema de espionagem e monitora o globo por meio de dezenas de agências. Aparentemente, o 5G ampliaria suas zonas de interesse e influência ao redor do planeta. A diferença é que quando o assunto é espionagem, entre os países democráticos ainda existem alguns limites, mas, em países autoritários como a China, ou a Rússia, isso não existe.

A verdade é que somos monitorados diariamente. Você provavelmente já falou sobre algum produto ou situação próximo ao seu smartphone, ou pesquisou preços de produtos na internet, e notou que, depois disso, várias propagandas sobre o produto ou situação descrita começaram a aparecer nas redes sociais e nos sites de busca. Esse é apenas um pequeno exemplo sobre como somos vigiados constantemente. Afinal de contas, informação hoje em dia significa dinheiro e muito, mas muito, poder.

Mesmo com a nova Lei Geral de Proteção de Dados, continua difícil evitar esse tipo de monitoramento. O 5G chega com uma proposta de mudar o mundo de forma positiva, trazendo mais velocidade, interação, possibilidades infinitas.

Mas, a pergunta que fica é: O que pode acontecer se a hegemonia desse tipo de poder cair nas mãos erradas e mal-intencionadas?

O ministro das comunicações, Fábio Faria, afirmou que o 5G deverá estar disponível em todas as capitais brasileiras até julho de 2022. Qual será a posição final do Brasil na guerra do 5G?

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