Especialista comenta caso de espancamento após erro de lição de casa

Crime aconteceu em Minas Gerais e gerou discussão sobre a gravidade da falta de equilíbrio e paciência entre muitos pais e responsáveis

Na tarde de segunda-feira, um caso triste chamou atenção de todo país. Um menino de 6 anos, Elias Emanuel Martins Leite, foi agredido pelo pai após errar o dever de casa em Caratinga (MG). A criança não resistiu aos ferimentos e teve morte cerebral, de acordo com a Prefeitura da cidade.

O pai, preso em flagrante pela Polícia Civil, confessou o crime e disse que estava embriagado no momento em que bateu no filho. De acordo com informações, quando sofreu as agressões, a criança bateu com a cabeça em um móvel e teve uma convulsão. O agressor deu um banho no menino e tentou desenrolar sua língua, mas já era tarde demais.

Casos de agressões contra crianças

Esse crime traz revolta, mas, infelizmente, retrata a realidade de muitas crianças, uma vez que diversos estudos mostram um aumento nos casos de violência contra os pequenos, tendo em vista que o isolamento social expõe os jovens a situações de vulnerabilidade.

Pai diz que 'perdeu a cabeça' com erro do filho e o agrediu até a morte

Pai diz que 'perdeu a cabeça' com erro do filho e o agrediu até a morte

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A psicóloga Rafaella Holanda lembra que, em meio à pandemia, ocorre uma subnotificação. "O distanciamento social priva crianças e adolescentes do contato com outras pessoas que poderiam ajudá-los a denunciar, como professores, colegas ou vizinhos, por exemplo". 

As agressões acontecem em diferentes níveis, nem sempre chegam a matar, mas, de toda a forma, deixam sequelas graves no corpo e no emocional das vítimas. "Os casos de violência podem traumatizar. Além disso, essas marcas podem fazer com que a criança reproduza o comportamento no futuro. A gente percebe que pais que hoje são abusivos, agressivos, normalmente, foram criados em ambientes negligentes e sofreram abusos", acrescenta a psicóloga.

O que significa ser pai e mãe

Infelizmente, atualmente, a falta de paciência, cansaço após um dia de trabalho, entre outros, têm sido algumas das justificativas que a grande maioria dos pais usa para gritar ou bater. "Muitos não entendem a função que têm como educadores. Ser pai e mãe exige ter disponibilidade, paciência e equilíbrio emocional, para que os filhos sejam criados de maneira saudável. Hoje em dia, há quem negue essa responsabilidade", observa a especialista.

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Gritar ou bater não é aceitável no trabalho, no casamento, entre amigos, e, principalmente, na criação dos filhos. "Por isso, este triste episódio traz uma reflexão importante a respeito de como os pais têm corrigido os pequenos. Definitivamente, o melhor caminho é o diálogo", orienta Rafaella.

Os responsáveis precisam compreender o quanto o papel deles é essencial para o crescimento saudável das crianças. "As regras devem ser colocadas com afeto, amor e comunicação. É importante explicar o porquê das coisas. Isso significa dedicar tempo e paciência", detalha.

Não adianta falar "não e ponto", é preciso ser e dar bons exemplos. "Os pais são modelos. É através do comportamento deles que os filhos aprenderão, ou não, a como administrar emoções, lidar com os erros, superar dificuldades. Educar é uma tarefa difícil e exige muito. É preciso entender isso, de uma vez por todas, para prevenir que casos como o de Elias continuem acontecendo", conclui Rafaella Holanda.

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