CPI da Covid

Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury Fundador da Prevent Senior revela motivo das acusações e dispara: 'Não somos bolsonaristas nem lulistas'

Fundador da Prevent Senior revela motivo das acusações e dispara: 'Não somos bolsonaristas nem lulistas'

A operadora de saúde está sendo acusada de pressionar profissionais a prescreverem remédios e de ocultar a morte de pacientes por Covid-19 

Diversas acusações estão sendo feitas à operadora Prevent Senior na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19. Alguns médicos alegaram que foram coagidos a prescrever medicações do tratamento precoce a pacientes. Além disso, acusaram a empresa de omitir mortes, sobretudo a daqueles que participaram de um estudo sobre a eficácia da hidroxicloroquina.

Em entrevista exclusiva a este blog, o CEO fundador da Prevent Senior, Fernando Parrillo, de 53 anos, esclareceu o que está acontecendo e explicou por que as acusações são infundadas. "Estão dizendo que omitimos óbitos, subnotificamos casos e, pasmem, até que matamos pacientes. São mentiras manipuladas por três médicos demitidos pela operadora por mau desempenho funcional e que tentaram acordos trabalhistas milionários. Aliás, essas denúncias foram levadas à CPI pelo fato de a empresa não ter aceitado os acordos", revela.

Fundador da Prevent Senior diz que empresa está sendo alvo de perseguição

Fundador da Prevent Senior diz que empresa está sendo alvo de perseguição

Reprodução

A operadora afirma que vai encaminhar documentos ao Conselho Regional de Medicina de SP (Cremesp) que comprovam que esses médicos receitaram hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina e vitaminas a si próprios e a seus familiares.

De qualquer forma, todas as denúncias serão avaliadas pelo Ministério Público e pela Justiça, que fazem as investigações técnicas. "Tenho certeza de que, com direito a ampla defesa, ficará provado que não cometemos esses absurdos que foram levados à CPI", acrescenta o fundador da companhia.

Mestrando em direito processual e cidadania, Lucas Pagani esclarece que são os beneficiários que devem procurar a Justiça caso se sintam lesados. "O que a CPI está fazendo é um ataque à Constituição, quebrando todos os direitos fundamentais, sem legitimidade para isso. Eles estão mirando na Prevent Senior por pura perseguição política. Sem falar que as acusações, de forma geral, são genéricas, até o STF já disse que estão exagerando."

Questionado sobre uma possível relação com o governo, o fundador nega. "A Prevent Senior não tem lado político. Não somos bolsonaristas nem lulistas. Nada. Agora, com a polêmica e a politização relativa ao uso de algumas drogas, como a hidroxicloroquina, acabamos ficando tachados como bolsonaristas, como membros do gabinete paralelo. É uma bobagem sem tamanho."

CPI ou palco político?

É importante lembrar que a CPI da Covid foi criada em abril deste ano para investigar eventuais omissões do governo no combate à pandemia, ou seja, para descobrir possíveis desvios de dinheiro público e negligências no serviço público (e não no privado). O presidente da CPI é o senador Omar Aziz (PSD-AM) e o relator é o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

"Onde a Prevent se encaixa no objetivo da CPI? Ela não recebeu dinheiro público nem contrato superfaturado, e não há nenhum indício de irregularidade jurídica. Eles estão usando a empresa para se promover, querem pintá-la como genocida, e a eles como 'bonzinhos'. Mas basta uma pesquisa rápida sobre as pessoas que estão à frente dessa comissão para concluir que de 'boazinhas' elas não têm nada", alerta o especialista em direito processual e cidadania, Lucas Pagani.

Apesar de as investigações estarem em andamento, parte da imprensa comete o mesmo erro do caso Escola Base, condenando sem esperar o julgamento. "Há jornalistas que estão sendo corretos, mas outros veículos adotaram um julgamento prévio, quase inquisitorial. Vivemos o espetáculo do denuncismo, mas fatos são fatos e serão esclarecidos pela Justiça", reafirma Fernando Parrillo.

Operadora está sendo acusada de ocultar mortes e receitar medicações do tratamento precoce

Operadora está sendo acusada de ocultar mortes e receitar medicações do tratamento precoce

Renato S. Cerqueira/Estadão Conteúdo

A Prevent nega as denúncias, mas o fundador admite que pode ter havido erros. "Mas erros pontuais, como algum atestado mal preenchido, por exemplo. Foram mais de 50 mil atendimentos de Covid, mais de 500 mil testes. Se houve erros, que sejam corrigidos. É até saudável que uma investigação aponte isso. Agora, dizer que somos nazistas e assassinos é algo, da forma como foi dito na CPI, muito mais próximo de um romance de teoria conspiratória. Chegaria a ser engraçado, não fosse uma farsa."

Futuro?

A Prevent Senior ficou conhecida por proporcionar planos de saúde mais acessíveis aos idosos, e hoje abriga mais de meio milhão de beneficiários em São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Curitiba.

Àqueles que estão preocupados com o que acontecerá com o atendimento da rede, Fernando garante que nada mudará. "Uma coisa importante a dizer a eles é que a empresa tem solidez econômica para garantir o atendimento a todos. Vamos continuar trabalhando para fornecer, como sempre, um bom serviço, com o carinho de sempre, aos nossos beneficiários."

Para ele, a Prevent tem incomodado certas autoridades. "Nosso diferencial é a prevenção, e isso é feito com gestão. Também não economizamos com exames e investimos mais de R$ 250 milhões na pandemia. Neste período, não descuidamos do resto, implantamos cirurgia robótica para tratar cânceres de próstata, por exemplo. E temos uma empresa aérea para fazer remoções médicas quando os pacientes precisam, algo que oferecemos a eles sem cobrar nada, apesar de não ser previsto em contrato. Estamos incomodando muita gente", conclui.

Operadora afirma que médicos teriam prescrito o "kit Covid" a si próprios e a familiares

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Pedro França/Agência Senado - 07.10.2021

Mais de 54 mil segurados chegaram a divulgar um abaixo-assinado em defesa da empresa. O documento pede "maior responsabilidade nas apurações e divulgação, em respeito aos milhares de beneficiários que poderão ser afetados".

Infelizmente, a verdade é que essa Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 virou uma oportunidade de palanque político e ideológico.

O médico e presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Ribeiro, lamentou o curso das investigações e defendeu a autonomia médica. "Os membros da CPI deixaram clara a opção de dar palanque àqueles que mantêm um discurso alinhado com determinada visão, distante da realidade enfrentada pelos médicos na linha de frente. Diante disso, mantenho firmes as minhas convicções em favor da autonomia do médico e do paciente, princípio milenar, pilar da prática da medicina."

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