Hidroxicloroquina, novos estudos e jogo político. A ciência venceu?

Site médico publica pesquisa que revela um aumento de 200% na sobrevida de pacientes tratados com hidroxicloroquina e azitromicina

Recentemente, o site médico medRxiv publicou um estudo observacional que revela que o tratamento com o medicamento antimalárico, a hidroxicloroquina, aliado à azitromicina e ao zinco, pode aumentar a taxa de sobrevivência ao coronavírus em até quase 200%.

A conclusão, que ainda será revisada por pares, se baseou em uma reanálise de 255 pacientes em ventilação mecânica invasiva durante os primeiros dois meses da pandemia nos Estados Unidos.

"Descobrimos que, quando as doses cumulativas desses medicamentos estavam acima de um certo nível, os pacientes tinham uma taxa de sobrevida 2,9 vezes maior que os outros pacientes", observaram os autores do estudo realizado no Saint Barnabas Medical Center, em New Jersey.

Outros estudos, além desse, têm endossado os efeitos positivos do uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. Dados publicados em dezembro do ano passado pelo International Journal of Antimicrobial Agents, por exemplo, destacaram a diminuição de 84% no número de hospitalizações entre os pacientes tratados com a droga. Outra pesquisa conduzida pela Hackensack Meridian Health, divulgada em janeiro deste ano, também encontrou resultados encorajadores em pacientes com sintomas leves que foram tratados com a hidroxicloroquina.

Medicina politizada

O uso dessa medicação como tratamento da covid-19 é extremamente defendido por alguns e contestado por outros.

A droga, aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) em 1955 para tratar e prevenir a malária, também prescrita para lúpus e artrite reumatoide, virou tema de diferentes discussões políticas.

Novo estudo observacional defende uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19

Novo estudo observacional defende uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19

Reuters / George Frey

E aí está o grande problema, politizaram a medicina! Isso aconteceu, principalmente, porque os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro depositaram suas esperanças no medicamento.

Quem não concordava com a postura ideológica desses políticos, passou a "torcer contra", afinal de contas, se a hidroxicloroquina realmente funcionasse teriam que concordar com aqueles que odeiam.

Parece ridículo isso, não é mesmo? Mas, infelizmente, foi o que aconteceu e vem acontecendo durante toda a pandemia.

A médica, Nise Yamagushi, por exemplo, sempre se posicionou de forma contrária a politização do discurso. "A gente não deve politizar uma situação, criar um medo infundado na população. A gente não deve criar um pânico para uma medicação que pode estar salvando vidas. E aí as pessoas vão postergar e tomar exatamente quando já não adianta mais", observou em abril do ano passado.

Após ter sido humilhada e ofendida na tal CPI da Covid (vale aqui lembrar que nenhuma feminista a defendeu) a pergunta que fica é: Nise estava certa o tempo todo, então, senadores?

Em prol da cura

Médicos renomados, como o Dr. David Uip e o Dr. Roberto Kalil Filho, por exemplo, chegaram a admitir, ano passado, o uso da hidroxicloroquina. Kalil disse, na época, em entrevista à Jovem Pan, que "mesmo sem grandes estudos, valeria a pena o uso". Ele também destacou que não dava para ficar esperando grandes pesquisas, pois o cenário era emergencial. "Daqui a um ano sai um estudo, mas aí vários já morreram".

Médica Nise Yamaguchi foi humilhada em CPI. Até quando vamos dar audiência para quem visa palanque eleitoral na pandemia?

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Edilson Rodrigues / Agência Senado

Tudo indica que ele estava correto nessa afirmação, mas, como o circo já estava feito, a discussão pouco avançou. Os dias passaram, as mortes aumentaram, a hidroxicloroquina foi proibida e os médicos que defendiam o uso foram dispensados e censurados. Mais uma vez, quem pagou as consequências fomos nós, o povo.

É claro que esse estudo ainda será revisado. Assim como há muitas pesquisas que apontam para resultados positivos, outras apontam para resultados negativos. Ou seja, não há unanimidade sobre o que é certo ou errado. Por isso mesmo, o médico deve ter autonomia para tomar a melhor decisão a respeito do tratamento para o seu paciente, sem sofrer qualquer intervenção política.

O que mais precisa acontecer para as pessoas entenderem a importância de não se deixarem manipular por esses políticos que não querem salvar vidas, mas sim interferir, visando palanque, no que os médicos devem ou não prescrever?

Vivemos uma urgência para salvar vidas! Enquanto continuarmos permitindo que o debate seja motivado por interesses políticos, o coronavírus seguirá se espalhando e minando vidas. Nós escolhemos para quem damos audiência, para uma política mal-intencionada ou para a verdadeira ciência, que quer vencer a doença.

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