Mãe revela que filha foi atacada na escola por ser judia

Entenda por que o conflito entre Israel e grupos terroristas gerou onda de perseguição contra comunidades judaicas

Valentina Laber Levy tem 14 anos. Ela e seus pais são judeus e moram há cinco anos na cidade de Richmond, em Vancouver, no Canadá. Na escola onde estuda, sempre se deu bem com os colegas das mais diferentes crenças. Mas, depois que o conflito mais recente entre Israel e os grupos terroristas Hamas e Jihad Islâmica iniciou, ela passou a ser perseguida e maltratada.

"Algumas amigas começaram a postar palavras horríveis contra Israel no grupo da internet. Além disso, pintaram os seus rostos com a bandeira da Palestina e forçaram Valentina a tomar uma posição sobre o assunto, sabendo que ela era judia", detalha a mãe da jovem, a advogada Tatiana Laber, de 46 anos.

Sem querer se envolver em confusão, Valentina se manteve quieta, foi excluída do grupo e aquelas que se diziam "amigas" pararam de falar com a adolescente. "Mesmo deixando ela de lado, seguiam enviando fotos e xingamentos sobre judeus", pontua a mãe.

Durante o conflito, atos antissemitas foram registrados em protestos

Durante o conflito, atos antissemitas foram registrados em protestos

Reprodução / Sascha Steinbach

Após enviar uma reclamação formal, a direção da escola notificou a polícia local e chamou as meninas e responsáveis para conversar. "Depois marcaram uma reunião comigo e com a Valentina. Os professores e a direção estão dando suporte para a minha filha conseguir continuar estudando em paz. Meu sentimento como mãe é de revolta e pena, afinal de contas, são adolescentes que estão criando posições radicais e preconceituosas. Infelizmente, percebemos um aumento do preconceito contra nós, judeus, em todo mundo", lamenta Tatiana.

Ódio ao redor do mundo

Esse preconceito tem nome: antissemitismo. E a tentativa de intimidar crianças judias a se posicionarem em relação ao que estava acontecendo é apenas mais uma amostra do ódio contra o povo judeu. Segundo o cientista político, especialista em Israel, Oriente Médio e Segurança Nacional, André Lajst, toda vez que Israel engaja em algum tipo de defesa contra os ataques terroristas em seu território, protestos violentos acontecem e a comunidade judaica acaba sendo vítima.

"Temos acompanhado uma crescente violência por causa de questões relacionadas ao conflito. Em São Paulo e também em outras cidades do Brasil e do mundo ocorreram diversos atos de violência. Muitas pessoas não estavam protestando contra uma política específica de Israel, mas sim contra a existência de Israel como lar nacional do povo judeu. Muitos expuseram slogans racistas. Comparações absurdas do nazismo com Israel e de símbolos como a suástica e a estrela de Davi foram vistos em vários lugares. Na Inglaterra, os protestos chegaram ao cúmulo de ameaçar, por meio de altos falantes, estuprar mulheres e crianças", detalha o especialista.

Garota de apenas 14 anos foi cruelmente perseguida na escola apenas por ser judia

Garota de apenas 14 anos foi cruelmente perseguida na escola apenas por ser judia

Reprodução

O motivo de tanto ódio: desinformação

Para o sargento israelense e diretor cinematográfico, David Elmescany, há uma raiz por traz da intolerância. "Os grupos terroristas que dedicam suas vidas para a destruição do estado de Israel são especialistas em marketing. Eles conseguem transformar quase tudo a seu favor e a imprensa internacional 'compra' tudo que sai na internet, sem verificar os fatos. Muitas imagens são editadas levando o mundo a acreditar que Israel é o vilão da história. Eles são realmente muito bons nisso e, infelizmente, o governo israelense não está preparado para a guerra nas redes sociais. Não existe uma unidade ou departamento no governo que possa combater e desmentir o que eles produzem e escrevem", observa.

O sargento lembra um caso recente que comprova uma possível manipulação dos fatos. "Pegaram a foto de 2018 de uma criança russa e a transformaram em uma vítima dos contra-ataques de Israel na Faixa de Gaza. A imprensa israelense revelou essa fake news, porém, quase não teve repercussão. Eu tenho uma página totalmente independente desde 2013 e tento lutar contra as fake news dos grupos terroristas", acrescenta.

Outra razão para tanto ódio seria a forma irresponsável como alguns grupos de comunicação descrevem os conflitos. "O embate não é entre Israel e Palestina. Essa afirmação inflama ódio e gera reações diferentes na população. O conflito é entre Israel e dois grupos terroristas, o Hamas e a Jihad-Islâmica, que dominam - a força - a Faixa de Gaza há 14 anos. Por isso, todos aqueles que prezam pela paz, pela liberdade, pela democracia e que são solidários a Israel e a Palestina precisam se atentar a isso", alerta André Lajst.

Lajst e David Elmescany reforçam que não é verdade que Israel mira em civis ou tem interesse em conquistar territórios palestinos, uma vez que o país se retirou da Faixa de Gaza em 2005, entregando o controle de toda região a Autoridade Nacional Palestina, organização concebida para ser um governo de transição até o estabelecimento do Estado palestino.

O cessar-fogo contribuirá para vencer o antissemitismo?

O pior confronto dos últimos sete anos parece que terá uma trégua. Essa "paz temporária" foi negociada com muito esforço pela Europa, Estados Unidos e Egito. Até o fechamento desta matéria, nenhum alerta de disparo de foguetes foi registrado depois que a pausa iniciou.

Essa imagem mostra uma menina que teria sido morta por um ataque israelense em Gaza. Mas, na verdade, se trata de uma criança russa, chamada Sophie, que está viva e tem 5 anos de idade

Essa imagem mostra uma menina que teria sido morta por um ataque israelense em Gaza. Mas, na verdade, se trata de uma criança russa, chamada Sophie, que está viva e tem 5 anos de idade

Reprodução

Mas, para o cientista político, André Lajst, esse acordo não significa a ausência de novos confrontos. "A verdade é que o Hamas não vai mudar sua política em relação ao Estado de Israel. Não há chance de que ele se desarme ou deixe de controlar a Faixa de Gaza. É certo que, se nada mudar na região, um novo conflito - mais cedo ou mais tarde - eclodirá".

Por isso, Lajst lembra que a Jihad Islâmica e o Hamas são dois grupos terroristas fundamentalistas islâmicos que aterrorizam a população de Gaza e de Israel. "Esses grupos possuem algumas dezenas de milhares de membros na Faixa de Gaza entre uma população de dois milhões. Por isso, não há imparcialidade no conflito. Ou se apoia ações terroristas ou se apoia a democracia. Uma pessoa pode ser solidária ao povo palestino e se colocar contra o terrorismo desses grupos. Então, quanto mais condenarmos o terrorismo mais próxima a região estará de um acordo e, consequentemente, de um Estado Nacional para os palestinos poderem viver em paz, em segurança e de forma democrática, ao lado de Israel", conclui.

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