Refletindo Sobre a Notícia por Ana Carolina Cury Os fura-filas da vacinação contra a covid e o egoísmo como estilo de vida

Os fura-filas da vacinação contra a covid e o egoísmo como estilo de vida

Veterinária já tinha se vacinado, mas procurou posto para tomar a "terceira dose".  Ato de pensar só em si mesmo gera prejuízos para toda a sociedade

A veterinária Jussara Sonner, que já estava vacinada com as duas doses da Coronavac, revelou em suas redes sociais que tomou uma "terceira dose", desta vez da Janssen. Ela disse que não estava se sentindo segura e procurou o posto de saúde em busca de outro imunizante. O caso foi denunciado no Ministério Público de São Paulo por meio do portal "Fura-fila da vacina".

O site orienta as pessoas a como denunciar quem está desrespeitando o cronograma de vacinação e diz que "desde que a imunização contra a covid-19 iniciou em São Paulo, estão sendo relatados diversos casos de pessoas que foram vacinadas, mas que não fazem parte do grupo prioritário".

O estado de São Paulo já ocupa a primeira posição no ranking de denúncias, segundo o relatório divulgado com dados atualizados referentes ao período entre 27 de janeiro e 18 de maio de 2021.

Veterinária foi contra orientação do Ministério da Saúde e tomou três doses de vacinas contra a covid-19

Veterinária foi contra orientação do Ministério da Saúde e tomou três doses de vacinas contra a covid-19

Reprodução

De acordo com a lei estadual nº 17.320, que entrou em vigor este ano, quem descumprir a ordem da vacinação e furar fila pode ser multado em R$ 1.700.

Geração que só pensa em si

Além da atitude de Jussara ser criticada por especialistas, já que muitos afirmam não existir qualquer benefício na revacinação em um curto espaço de tempo, ela também tirou a oportunidade de uma outra pessoa se imunizar.

Infelizmente, esse comportamento representa uma postura comum atualmente. Observamos que muitos, influenciados pela "modernidade" que diz que "os desejos pessoais devem estar acima de tudo e de todos", têm vivido a própria vida, deixando de se importar como suas ações ou escolhas podem afetar outras pessoas ou, até mesmo, a sociedade como um todo.

Esta luta, baseada no "cada um por si" está nos levando, enquanto raça humana, para um caminho solitário, já que nenhum casamento, amizade ou qualquer outro tipo de relação, sobrevive ao egoísmo.

Poderíamos estar extintos

Um estudo realizado por uma equipe da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, divulgado pela publicação científica Nature Communications concluiu que se todos tivessem sido egoístas no passado os seres humanos poderiam ter sido extintos.

Pessoas egoístas tendem a perder relacionamentos e viver de forma solitária

Pessoas egoístas tendem a perder relacionamentos e viver de forma solitária

Denis Rozhnovsky / Shutterstock

Faz todo o sentido. Basta analisarmos como a natureza funciona. A competição até existe, mas é pontual e limitada, ou seja, acontece para reprodução e defesa de territórios, por exemplo.

Mas, o que, de fato, garante a sobrevivência das espécies, é a cooperação. Ela sim é onipresente.

Só estamos vivos agora porque respiramos. E só temos oxigênio porque as plantas fazem a fotossíntese e utilizam a energia do sol para converter CO2 (dióxido de carbono) e H2O (água) em O2 (oxigênio), que são consideradas moléculas mais complexas, das quais todos os seres vivos do planeta necessitam. Ou seja, é preciso que haja cooperação para que a vida continue.

Por isso, o egoísmo tira o brilho de tudo por onde passa. Precisamos aprender mais com a nossa natureza, afinal, a essência da nossa existência pode ser resumida em uma palavra: dar. Somente a generosidade pode gerar relações bem-sucedidas e um mundo melhor.

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