Patrick, Lucas Lima e o erro de não se colocar no lugar do outro

Jogadores foram flagrados em baladas clandestinas. Aglomerações estão proibidas por conta da pandemia

Na última sexta-feira, o jogador de meio-campo do palmeiras, Lucas Lima, foi flagrado por torcedores em uma balada clandestina. Eles divulgaram um vídeo nas redes sociais do flagrante onde, revoltados, falam para Lima que, devido a atitude, deve ser despedido do clube.

A hashtag "Fora Lucas Lima" chegou a ficar entre os assuntos mais comentados no Twitter. Muito se falou que o jogador foi egoísta e insensato, ainda mais, porque no sábado anterior, dois funcionários do Palmeiras, um segurança e um podólogo, morreram devido a covid-19.

Após ser flagrado sem máscara por torcedores na madrugada paulista, o meio-campista Lucas Lima, do Palmeiras, foi afastado por tempo indeterminado

Após ser flagrado sem máscara por torcedores na madrugada paulista, o meio-campista Lucas Lima, do Palmeiras, foi afastado por tempo indeterminado

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Tamanha repercussão negativa não serviu para nada. Na madrugada desta segunda-feira, foi a vez de Patrick de Paula, volante do Palmeiras. Ele também foi identificado em uma festa clandestina, no Tatuapé, zona leste de São Paulo, por um grupo de palmeirenses que também gravou um vídeo criticando o jogador.

A diretoria do Clube confirmou que o jogador será multado e afastado. Patrick não se pronunciou sobre o caso.

Jeitinho brasileiro

Infelizmente, além de Lucas Lima e Patrick de Paula, outros jogadores vêm sendo flagrados quebrando protocolos, como por exemplo o meia Ramires, visto sem máscara aglomerando em uma casa noturna de Guarulhos. Ele foi multado e pouco depois rescindiu contrato com o time.

Recentemente, a Polícia Civil também localizou os jogadores de futebol Robert Arboleda, do São Paulo, e David Neres, do Ajax (Holanda), em uma festa clandestina na zona leste de São Paulo. Após encerrar o evento, ambos foram conduzidos à Delegacia de Crime contra a Saúde Pública.

Talvez esses atletas tenham se esquecido que aglomerações estão proibidas em todas as fases do Plano São Paulo, por conta da pandemia. Em caso de festas clandestinas, os organizadores dos eventos podem ser detidos e multados em até R$ 290 mil.

No domingo, Patrick de Paula ficou fora de jogo por conta de brinco. Horas depois foi flagrado em uma festa clandestina

No domingo, Patrick de Paula ficou fora de jogo por conta de brinco. Horas depois foi flagrado em uma festa clandestina

Reprodução

Só para ter uma ideia, em três meses, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, as polícias Civil e Militar participaram de mais de 4.500 operações em baladas clandestinas no estado e quase 10 mil pessoas foram detidas.

Falta amor ao próximo

O que traz indignação é que as pessoas que participam desses eventos, além de certamente pensarem que são inatingíveis, agem com indiferença em relação as regras e aos outros, que podem sofrer terríveis consequências por suas atitudes.

Devido a esse egoísmo, baladas e festas clandestinas seguem ocorrendo todas as semanas. E, por conta da falta de noção dos que frequentam, as pessoas de bem, os comerciantes, enfim, quem precisa trabalhar duro para sustentar suas famílias, pagam o preço.

Então, a atitude desses jogadores só mostra e comprova o quão individualista a sociedade está. Porque se as pessoas tiverem bom senso e se importarem com o bem-estar do outro, a tendência é que tudo funcione melhor, inclusive, que a pandemia termine mais rápido.

Quando falamos em amor ao próximo, precisamos excluir o egoísmo ou o egocentrismo. É muito fácil culpar o governo, quando são as próprias atitudes que fazem com que o Brasil seja conhecido como o país do jeitinho, do desrespeito e da corrupção.

Essa imagem só mudará quando as pessoas finalmente entenderem que é preciso se colocar no lugar do próximo, todos os dias.

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