China

Por que críticos do governo somem misteriosamente na China

Uma declaração contra o regime chinês pode ser suficiente para ser perseguido e silenciado pelo Partido Comunista

Nos últimos meses, um sumiço misterioso chamou atenção da imprensa mundial. Após criticar a atuação dos bancos do regime comunista em novembro do ano passado, o bilionário e fundador do portal de vendas online Alibaba, Jack Ma, um dos homens mais ricos da China, simplesmente desapareceu.

Seu recente negócio o Ant Group, que visava revolucionar o setor bancário não agradou as autoridades comunistas. Em uma reunião, Jack Ma, teria criticado o sistema financeiro chinês e acusado os bancos chineses de operarem com uma mentalidade atrasada, de "loja de penhores".

Segundo relatos, essas falas polêmicas chamaram atenção do presidente da China, Xi Jinping e enfureceram o setor bancário tradicional. Assim, depois desse discurso, ninguém mais soube de seu paradeiro.

Em novembro de 2020, após tecer críticas ao regime chinês, bilionário desaparece

Em novembro de 2020, após tecer críticas ao regime chinês, bilionário desaparece

Reuters

Três meses depois, porém, ele reapareceu em um vídeo de 50 segundos, onde não é possível localizá-lo. Este mês ele perdeu o título de homem mais rico e seu paradeiro segue misterioso.

À Reuters, Dan Kern, chefe de investimento na TFC Financial Management, em Boston, um dos fundos que investiram na Alibaba, revelou que Jack Ma decidiu se isolar após perceber o risco de retaliação devido ao que disse sobre a atuação do partido comunista chinês. "Foi bom ver Jack Ma reaparecer. Mas, minha opinião é que ele decidiu ficar mais discreto por um tempo após fazer comentários que irritaram o governo".

Críticos desaparecem na China

Rumores apontaram que o empresário estaria em prisão domiciliar ou detido pelas autoridades chinesas. Alguns chegaram a duvidar que ele ainda estivesse vivo.

Não é incomum que isso aconteça com aqueles que criticam o sistema chinês. Basta uma pessoa falar qualquer coisa contra a atuação do governo para ser censurada, punida ou presa.

Não me esqueço da história da médica Ai Fen, diretora do departamento de emergência do Hospital Central de Wuhan. Em março do ano passado, ela simplesmente sumiu após dar uma entrevista à revista "People". Ai Fen revelou ter recebido um relatório de diagnóstico, no final de dezembro de 2019, de uma infecção preocupante. O presidente da China, Xi Jinping, ordenou que a entrevista fosse apagada da internet e ninguém mais soube a localização da médica.

Seu desaparecimento nos levou a crer que, além da China "silenciar" algumas pessoas, omitiu ao mundo a verdadeira data do início da covid-19.

Médica desaparece após denunciar surto de coronavírus em Wuhan, na China

Médica desaparece após denunciar surto de coronavírus em Wuhan, na China

Reprodução / RSF

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) também detalhou que, em Wuhan, as autoridades prenderam vários profissionais por uma cobertura que ameaçava a narrativa oficial sobre a covid-19. A jornalista e advogada chinesa Zhang Zhan, por exemplo, foi condenada a quatro anos de prisão pelo Partido Comunista após reportar a maneira como a China estava tratando a doença.

Enfim, esses são apenas alguns (poucos) exemplos dos milhares de casos de pessoas que são censuradas pelo governo.

A farsa do comunismo

Na minha adolescência, até o início da faculdade, posso dizer que pensava que o comunismo era bom porque buscava a igualdade econômica e social para os povos. Porém, minha opinião era baseada simplesmente no que ouvia de alguns professores, obviamente não tinha lido nada sobre a história do socialismo ou teoria marxista.

Mas, caro leitor, não é preciso ter acesso a esses estudos para entender que o comunismo é uma farsa. Basta ler notícias como essas da China para concluir isso.

Alguns países mostram claramente a realidade dessa ideologia. Basta compararmos e analisarmos o contraste de países como China e Taiwan, Coreia do Norte e Coreia do Sul, por exemplo. O padrão de censura é o mesmo.

Durante a pandemia, o governo comunista aproveitou a ausência de fieis para destruir igrejas

Durante a pandemia, o governo comunista aproveitou a ausência de fieis para destruir igrejas

Reprodução

Alguns estudos mostram que, ao longo da história, sem contar os mortos em combate, a privação de direitos humanos, torturas e censuras impostas pelo comunismo matou pelo menos 100 milhões de civis, pessoas comuns que tentavam viver suas vidas.

Especialistas acreditam que esse número pode ser muito maior. Só na Ucrânia, por exemplo, em dois anos, o Partido Comunista Ucraniano e o regime soviético mataram de fome pelo menos 6 milhões de pessoas.

Teve também o sofrimento enfrentado por milhões de pessoas que não morreram, mas vivenciaram todo o massacre de governos comunistas. 

Na atuação do comunismo, se destaca também a violência contra a religião, em particular, contra os cristãos.  Isso porque o regime é ateísta, onde Deus é o Estado, que é quem cuida do indivíduo. Logo, a Igreja em si é vista como uma Instituição que prejudica esse controle. Notícias que envolvem instituições queimadas, demolidas, são comuns na China.

Apesar de o país buscar controlar totalmente a população também trabalha incessantemente para se consolidar como uma potência tecnológica e conseguir ultrapassar os Estados Unidos como maior economia do mundo. Assim, ao mesmo tempo que a nação avança em tantos setores, continua retrógrada em outros, sobretudo no campo político e nada democrático.

E essa é a realidade do comunismo: formar uma sociedade submissa a um pequeno grupo de controladores. Por isso, para que essa ideologia seja implementada, basta destruir bases da civilização.

Qualquer semelhança com o que vem acontecendo em muitos países do mundo, não é mera coincidência. Não me espantará ouvir em breve em noticiários por aí que a China é um exemplo de sociedade e que o comunismo pode ser uma ótima saída para o que estamos enfrentando.

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