Por que um pesquisador francês chamou os jovens de "cretinos digitais"

O analfabetismo funcional é um problema crescente no Brasil. Pesquisas têm alertado que as novas gerações estão com níveis de inteligência menores que as anteriores 

Uma geração que gosta de dar opiniões, que parece estar sempre na moda, antenada com as novidades do mundo digital e novas redes sociais. Mas, modernidade e acesso não garantem inteligência. Quem afirmou isso foi o neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França. Segundo sua análise, pela primeira vez, os filhos têm um quociente de inteligência (QI), que é medido a partir de testes específicos, inferior ao dos pais.

Pesquisadores observaram que durante muitos anos, em muitas partes do mundo, o QI aumentou de geração em geração. Mas, recentemente, essa tendência começou a se reverter em vários países.

Em seu livro, "La fabrique du crétin digital" ("A Fábrica de Cretinos Digitais", em tradução livre), Michel Desmurget apresenta dados que mostram o quanto os dispositivos digitais prejudicam o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Porém, eles não são os únicos culpados, há outras causas, como, por exemplo, o sedentarismo, a ausência de interações familiares e a diminuição do tempo dedicado a atividades que envolvam leitura, música, lição de casa.

Segundo o pesquisador francês, Michel Desmurget, nativos digitais são os primeiros filhos com um coeficiente intelectual mais baixo que o de seus pais

Segundo o pesquisador francês, Michel Desmurget, nativos digitais são os primeiros filhos com um coeficiente intelectual mais baixo que o de seus pais

Pixabay

Segundo o neurocientista, todas essas ausências levam a distúrbios de concentração e aprendizagem, o que impede o desenvolvimento.

Em entrevista à BBC, Desmurget afirmou que "simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento".
 

Muita opinião, pouco conteúdo

As novas gerações podem parecer mais antenadas, questionadoras, argumentativas e cheias de opinião sobre tudo, mas, ao mesmo tempo, se mostram carentes de conteúdo, diálogo e atenção. Há muitas doenças emocionais que estão crescendo entre os jovens, sobretudo neste período de pandemia, como a depressão, a automutilação, a dependência em telas, ansiedade, falta de atenção, irritabilidade, entre outras.

Para mudar essa realidade é preciso que haja consciência dos responsáveis, porque muitos de nós fomos criados em um modelo totalmente diferente do atual, afinal, eram outros tempos e a tecnologia da forma como é hoje, sequer existia. Então, se passamos por tantas evoluções, não podemos manter a educação num padrão que não existe mais, porém, ao mesmo tempo, os bons valores devem permanecer. 

Para mudar essa realidade, em vez de estimular o uso telas é preciso influenciar bons hábitos, como o da leitura, por exemplo

Para mudar essa realidade, em vez de estimular o uso telas é preciso influenciar bons hábitos, como o da leitura, por exemplo

Divulgação / Sou Mamãe

O Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) revelou que cerca de 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, ou seja, são incapazes de interpretar e compreender textos simples e resolver operações básicas que envolvam, por exemplo, o total de uma compra ou o cálculo de um troco, por exemplo.

Se nada for feito, esse número só vai continuar aumentando. Por isso, é preciso que haja um esforço para ensinar o equilíbrio aos jovens de hoje, para que eles não se tornem adultos alienados, amanhã.

As pesquisas comprovam que ser imediatista, multitarefas, viciado em telas e não ter bons hábitos como ler, interagir com a família etc não apenas emburrece como também prejudica a saúde como um todo.

Então, que sejamos exemplo para que a nova geração entenda que nem sempre novas tecnologias significam crescimento pessoal. Erradicar esse tipo de analfabetismo e melhorar a educação também são responsabilidades nossas.

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