Quem são os "fura-filas" da vacina contra a covid-19?

Vacinados que não faziam parte de nenhum grupo prioritário deram um jeitinho para conseguir se vacinar

Como era de se esperar, centenas de denúncias já foram realizadas em todo o país a respeito do favorecimento da vacina contra a covid-19 para pessoas que, mesmo não fazendo parte de nenhum dos grupos considerados prioritários, teriam recebido a primeira dose. 
Os casos incluem prefeitos, empresários e até secretários de saúde que foram denunciados desde o início da campanha.

Procedimentos estão sendo instaurados em diferentes regiões para apurar denúncias. Os ministérios públicos estaduais e federal cobram explicações dos governos locais sobre possíveis irregularidades na fila de prioridade.

Desde o início da campanha de vacinação contra a covid-19, centenas de denúncias de 'fura-filas' foram feitas

Desde o início da campanha de vacinação contra a covid-19, centenas de denúncias de 'fura-filas' foram feitas

Diante do número de doses considerado muito baixo para a população brasileira, a orientação prevista no plano nacional de vacinação é de que as vacinas sejam destinadas àqueles que são considerados prioridades no atual momento.

Os adeptos do jeitinho

Mais uma vez, alguns (ou muitos) brasileiros estão fazendo jus ao termo "jeitinho brasileiro", onde, para conseguir o desejado, vale quebrar regras e até cometer atos ilícitos.

O desejo de levar vantagem é um traço cultural tão presente no nosso dia a dia, que até encontraram um nome bonito para isso: "jeitinho brasileiro", mas que, na verdade, nada mais é do que corrupção.

Muitos ignoram, porém, que há uma linha tênue entre falta de ética e criminalidade. Tal atitude gerou tanta indignação que um projeto de lei foi apresentado na Câmara dos Deputados para tornar crime no Código Penal o descumprimento da ordem prioritária de vacinas. Assim, tanto quem furar a fila para receber a dose de imunizante quanto quem ajudar para que isso aconteça poderão sofrer detenção de um a três anos, além de multa.

Jarbas Domingos

Não dá para mensurar se uma corrupção é pequena ou grande. Porque quando as pessoas praticam o que chamam de pequenas corrupções (furam filas, fazem "gatos" para usar TV, internet, pagam propina para não serem multadas etc) estão legitimando as grandes (desvio de verbas públicas, fraude eleitoral, suborno, extorsão etc).

Conforme afirmou um estudo da Faculdade de Direito da Fundação Getulio Vargas, chamado Índice de Percepção do Cumprimento das Leis, quanto menor a chance de ser punido, maior é a frequência de condutas desrespeitosas.

Então, não podemos contar apenas com o bom senso e com o caráter das pessoas. As leis continuam necessárias para o caos não dominar tudo. Por isso, não há como confiar em quem não tem ética e não sabe se colocar no lugar do outro.

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