Quem teria sido Maradona se não fossem as drogas?

Se ele foi um sucesso nos campos, fora deles não teve o mesmo êxito

É praticamente indiscutível que Maradona foi um gênio do futebol. Polêmico, claro, mas muito talentoso. Quando soube de sua morte em decorrência de uma parada cardiorrespiratória, aos 60 anos, pensei que, com o "el pibe de oro", (em português o garoto de ouro), como era conhecido, parte do futebol também se foi. Mas, sua temporada aqui na terra com certeza deixa ensinamentos aquém do esporte.

Gol histórico e polêmico que ficou conhecido como "La Mano de Dios" virou tema de livros e filmes na Argentina

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Diego Maradona/Reuters - 22/6/1986

Na vida profissional, venceu muitas barreiras, mas na vida pessoal criou muitas outras. Uma delas se deu quando foi pego no dopping em 1991, época que jogava no Nápoles. Por conta do uso de cocaína, foi suspenso por meses.

Ainda devido a cocaína, efedrina, bebida enfrentou muitas outras suspensões em jogos e campeonatos importantes. Maradona chegou a fazer, inclusive, tratamento de desintoxicação.

Mas, ele continuou nos vícios e passou a ter muitos problemas de saúde, alguns deles decorrentes do uso de drogas e do abuso de álcool.

A dependência acaba com as relações

A fala da jogadora do Viajes Interrías, Paula Dapena, sobre o jogador repercutiu muito nas mídias.

Jogadora se recusa a participar de homenagem a Maradona

Jogadora se recusa a participar de homenagem a Maradona

Reprodução Twitter



“Há poucos dias lutamos contra a violência de gênero e nenhum minuto de silêncio foi feito pelas vítimas. Não estou disposta a fazer para um agressor”, justificou Paula após decidir ficar sentada durante o minuto de silêncio em homenagem ao argentino antes da disputa da segunda divisão do Campeonato Espanhol Feminino com o Deportivo La Coruña.

Ela se referiu a vida amorosa de Maradona, que também foi conturbada. Ele foi casado por 12 anos com Claudia Villafañe e teve duas filhas, Dalma e Giannina. Após o divórcio, surgiram outros filhos de relações extraconjugais. Mais tarde, vieram à tona mais filhos, totalizando oito no total. Dois deles lutaram na justiça por anos para conseguir reconhecimento legal do ex-jogador.

Em 2014, sua ex-namorada, Rocío Oliva, gravou um vídeo em um quarto do hotel Nordelta, em Buenos Aires, onde ele parecia "estar fora de si" e supostamente a agrediu para tirar o telefone de sua mão.

Em 2017, uma jornalista russa o acusou de assédio sexual e disse que ele tentou “arrancar seu vestido e ofereceu dinheiro”. Claudia, sua primeira esposa, o denunciou em 2019 por violência psicológica.

Convivência destrutiva

Fica evidente que uma coisa prejudica a outra, os vícios, de forma geral, atrapalham e destroem qualquer relação. Só quem já conviveu com pessoas viciadas sabe dessa luta. Segundo estudos mais antigos, ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar dependente químico.  Eu já vi de perto essa realidade, perdi pessoas queridas e sei o quanto um vício pode desestruturar famílias.

Me lembrei de quando o casal - que era queridinho do mundo dos famosos - Angelina Jolie e Brad Pitt anunciou o divórcio. A imprensa internacional revelou que o motivo pelo qual Angelina pediu a separação foi o uso de bebidas e drogas de Pitt que estaria expondo os filhos deles.

Ou seja, álcool, drogas, pornografia, ou qualquer outro tipo de vício desgastam muito. Para o viciado, traz dificuldades de relacionamentos (seja no trabalho, com os pais, filhos, cônjuges, amigos) e pode, até mesmo, levar ao rompimento das relações.

Além de prejudicar as relações, vários estudos associam os vícios com o surgimento de transtornos mentais

Além de prejudicar as relações, vários estudos associam os vícios com o surgimento de transtornos mentais

Pixabay

Já os filhos, quando convivem com o pai ou a mãe viciado, além de estarem mais expostos ao risco de desenvolverem uma dependência, podem ter problemas emocionais como hiperatividade, perturbações do comportamento, consumo precoce de álcool e outras substâncias, disfunções cognitivas, sintomas de ansiedade e depressão, e por aí vai.

Como vencer este mal?

Toda essa crise familiar me faz pensar no impacto que as atitudes pessoais do Maradona tiveram em toda sua família. Com certeza, se não fossem os vícios, ele poderia ter aproveitado verdadeiramente vida, melhorado seus relacionamentos e, quem sabe, vivido mais.

Só que ele não está mais presente... É fato que seu talento fixou um legado muito importante para a história do futebol, mas toda sua trajetória nos deixa lições importantes: é preciso saber que o vício muda comportamentos, impede o avanço, prejudica a carreira, destrói casamentos.

Então, se você vive essa realidade (como Maradona viveu um dia) pode dar hoje o primeiro passo para a mudança. Para isso, basta decidir vencer este mal e dominar o que hoje te domina.

Enquanto persiste a indefinição sobre qual o melhor método científico que leva à "cura" dos vícios, muitas famílias que conheci, que passaram ou ainda passam por este problema, recomendam ter fé e esperança.

Porque, se as pessoas não atentarem para buscar a cura, amanhã pode ser tarde demais.

Talvez você esteja se perguntando agora: “É fácil falar...”
Mas, eu já passei por esse tipo de superação e posso dizer que é possível.
Quando decidi parar de fumar entendi que não podia ser mais fraca que um tabaco de 8cm. Naquele momento minha vida inteira mudou. Descobri novos interesses, hobbies, até meu paladar se transformou.

Com a atitude vem o primeiro passo e, quando aprendemos a nos conhecer aprendemos também a nos impor diante das situações adversas. Porque, uma vez que há respeito consigo, há limites.

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