Tom Hanks, Juliana Paes e a geração que precisa opinar sobre tudo

Diferentes opiniões, muito preconceito e pouco conhecimento atingem as redes sociais e rodas de conversa e expõem a necessidade de refletir sobre o assunto

O escritor e jornalista americano, Eric Deggans, está tentando cancelar o ator Tom Hanks. Deggans considera isenta a postura de Hanks a respeito de alguns assuntos que considera importante.

Para entender melhor, o ator publicou um texto no jornal New York Times sobre o Massacre Racial de Tulsa e a importância desse episódio ser ensinado nas escolas. Em 1921, na cidade de Tulsa, no estado de Oklahoma, 300 pessoas morreram. Esse foi considerado o pior massacre racial da história dos Estados Unidos.

Depois da veiculação, o jornalista deu a entender que o ator não tinha direito de falar sobre esse tema e cobrou uma explicação por ele ter "construído uma carreira vivendo o homem branco correto."

Jornalista e escritor criticou o que chamou de postura isenta de Tom Hanks e cobrou posicionamentos do ator

Jornalista e escritor criticou o que chamou de postura isenta de Tom Hanks e cobrou posicionamentos do ator

The Grosby Group via Estrelando

"Ele é um astro baby boomer que construiu grande parte de sua carreira em histórias sobre o homem branco americano fazendo a coisa certa (...) Então, o que ele disse não é o suficiente. É hora de o Tom Hanks ser antirracista", redigiu Deggans.

Hanks não se pronunciou publicamente sobre o texto e o jornalista tem sido alvo de críticas.

Geração rasa

Há quem diga que a postura do ator de não responder tal ataque foi errada. Isso porque estamos vivendo em uma geração onde as pessoas opinam sobre tudo, e sobre nada ao mesmo tempo.

Deixe-me explicar. As novas gerações são ensinadas que devem ter suas próprias opiniões. E isso é ótimo. Mas, o que muitos estão se esquecendo é que, para isso, precisam estar bem-informados antes, dominando o assunto que opinam.

Não são poucas as discussões que acontecem atualmente. Afinal, com tantas tecnologias e meios de comunicação, o engajamento por diferentes causas aumentou muito. Todavia, a diversidade de temas expostos faz com que o indivíduo sinta-se na obrigação de dizer o que pensa, mesmo que não saiba sobre o que está falando.

Essa é mais uma prova de que excesso de informação não significa qualidade de conhecimento e explica porque o Quociente de Inteligência (QI) tem ficado menor, a cada nova geração.

A verdade é que é impossível fazer uma discussão inteligente quando uma pessoa se informa apenas por meio de notícias superficiais, tendenciosas ou pelo pensamento de outros, como por exemplo, influencers ou artistas. Não há como ter um espírito verdadeiramente crítico quando se passa por cima do princípio básico que diz que para opinar devemos primeiro conhecer, ou seja, percorrer por um caminho de estudo.

Juliana Paes é atacada após defender ataques machistas sofridos pela médica Nise Yamaguchi na CPI da Covid

Juliana Paes é atacada após defender ataques machistas sofridos pela médica Nise Yamaguchi na CPI da Covid

Reprodução

Ser isento

Recentemente, a atriz Juliana Paes fez um post dizendo que o depoimento da médica Nise Yamaguchi na CPI da Covid tinha sido alvo de machismo, com várias interrupções em sua fala.  "Show de horror e boçalidades na CPI da Covid. Certa ou errada… Não importa! Intimidação, coação… Fala interrompida… Mulher merece respeito em qualquer ambiente", escreveu a atriz, em uma publicação com a foto da médica. Depois disso, Juliana passou a ser muito criticada por não se posicionar politicamente.

Após tanta pressão, gravou um vídeo de cinco minutos dizendo não estar ao lado de Lula nem ao lado de Bolsonaro e criticou a polarização no país. Para ela, limitar os posicionamentos entre extrema esquerda e extrema direita não é saudável. Mas, depois dessa exposição, a atriz, que antes desse episódio se mantinha isenta em assuntos políticos, foi ainda mais atacada e cancelada.

Vencendo a desinformação

Assim, fica uma lição importante dessas histórias: não é porque meia dúzia de pessoas acham que podem falar o que pensam, xingar, atacar, que todos nós precisamos agir igual.

Evite a vergonha alheia. Já dizia meu finado avô: "Temos dois ouvidos e uma boca por uma razão especial: para ter mais atenção e buscar entender melhor, antes de sair falando bobagens por aí." 

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