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Trecho do depoimento de médica na CPI da Covid expõe governadores

STF suspendeu a obrigatoriedade de governadores deporem sobre a pandemia. Mas, seria essencial que eles também esclarecessem omissões durante o combate à covid-19

A CPI da Covid ouviu, na quinta-feira (24), a médica e ativista Jurema Werneck e o ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal. Porém, do que foi falado, vale destacar o seguinte trecho:

"O vírus começou lá na China em uma província específica. A doença viajou e a vigilância nos portos e aeroportos teria feito a diferença, porque o vírus viajou no corpo dos viajantes. O primeiro vírus que chegou no Brasil era de um viajante que veio da Itália", pontuou Jurema.

Talvez essa tenha sido a melhor lembrança. Afinal de contas, que medidas de controle foram adotadas no iníco da pandemia? Quantas vidas poderiam ter sido poupadas se governadores e prefeitos tivessem suspendido o Carnaval e seguido as orientações do decreto de emergência de saúde pública emitido pelo Governo Federal na época, uma vez que a iniciativa visava prevenir a chegada do vírus chinês?

Internautas criticaram que médica que compareceu à CPI não tinha licença para exercer a profissão

Internautas criticaram que médica que compareceu à CPI não tinha licença para exercer a profissão

Twitter / Reprodução

Com ou sem CRM

Muito se discutiu no Twitter se Jurema tinha ou não CRM, que é o registro que todo médico deve possuir após obter o diploma, a fim de exercer sua profissão. "Que absurdo a CPI convocar uma médica com o CRM cancelado, basta conferir no próprio site da entidade, está escrito que ela não tem licença", dizia um. "Lá vem os negacionistas dizerem que ela não é médica, mas ela foi na CPI como ativista e não como médica", respondia outro. 

De qualquer forma, num cenário onde se tem mais de 500 mil mortos, o que não pode passar despercebido é que, mais grave que o fato dela não ter permissão para atuar como médica, é ver que esses senadores estão deixando de lado questões muito importantes quando se trata de entender, questionar e discutir como a pandemia foi conduzida no país.

Absurdo sem tamanho

No ano passado, um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que o carnaval foi a porta de entrada para o coronavírus. O coordenador da pesquisa disse na época ao jornal Gazeta do Povo que sem o devido controle nos aeroportos, nos portos e nas fronteiras, o coronavírus teve ambiente propício para propagação.

A CPI da Covid-19 começou no dia 27 de abril e está prevista para acabar no dia 7 de agosto

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"O avanço do vírus já era de conhecimento em escala global no mês de fevereiro. A grande falha foi não implementar uma política de controle rigorosa nos aeroportos como medida de controle para barrar a entrada do vírus. As fronteiras têm papel determinante na disseminação", destacou.

E aí, diante de tudo isso, o nosso Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na quinta-feira, manter a suspensão da convocação de governadores pela CPI da Covid, o que significa que eles só podem comparecer de forma voluntária, e não obrigatória.

Ou seja, muitos daqueles que são acusados de falhas e corrupções durante a pandemia não precisarão prestar contas à população. 

A CPI tem previsão de acabar em 7 de agosto, mas os senadores estudam prorrogar os trabalhos. Infelizmente, trabalhos estes que têm decepcionado a população brasileira. O que estamos vendo, diariamente, é um espetáculo de pessoas que visam palanque, que sabem muito bem porque estão lá e, com certeza, meu amigo e minha amiga, não é para defender nem eu nem você, mas sim os seus próprios interesses, que nada tem a ver com o combate ao coronavírus.

A covid-19 é uma cortina de fumaça, apenas. Caso contrário, eles lutariam para que alguns governadores e prefeitos esclarecessem porque desviaram recursos, não cancelaram o carnaval (pelo contrário, o incentivaram), entre muitos outros pontos.

Disso ninguém quer falar... Por quê? Não podemos aceitar continuar sendo massa de manobra de quem só almeja poder, poder e mais poder.

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