A responsabilidade política pelas enchentes

A cidade está em modo emergência – o prefeito não

Fortes chuvas causam alagamento na Marginal Tietê, na altura da Ponte da Casa Verde

Fortes chuvas causam alagamento na Marginal Tietê, na altura da Ponte da Casa Verde

Marcelo Gonçalves/Sigmapress/Estadão Conteúdo

Quando há uma catástrofe natural como a que está ocorrendo agora em São Paulo, um bom prefeito toma as rédeas e convoca uma entrevista coletiva. Diz que a culpa não é totalmente sua, mas que falhou na prevenção da tragédia. Afirma que poderia ter feito mais, pede desculpas pelas falhas e responde às perguntas dos jornalistas uma por uma, sem pressa, já tendo distribuído ordens aos seus principais secretários para que tomem medidas emergenciais.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) não fez, até as 13h30 desta segunda-feira, nada disso – exceto, provavelmente, delegar tarefas aos secretários. Sob seu comando, a prefeitura nem mesmo divulgou uma nota à população sobre as enchentes. No site oficial, há apenas duas notícias curtas sobre o assunto. Nada no Instagram. O perfil da prefeitura no Facebook publicou informações protocolares, informando a suspensão do rodízio de carros.

Não tenho dúvida de que Bruno Covas esteja, nesse momento, trabalhando para minimizar os estragos causados pela chuva.

Mas errou ao apontar erros apenas nas gestões anteriores, poupando seu próprio mandato.

Pecou pela falta de transparência ao não organizar uma coletiva para prestar contas.

Ainda há tempo. Chuva não faltará.

(Este artigo expressa a opinião do autor, não representando necessariamente a opinião institucional da FGV.)