O pito público de Susana em Julio Cesar é uma lição para os homens

Pegou mal, Julio

Pegou mal, Julio

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Vem cá, homem: a carapuça lançada por Susana Werner te serviu?

Porque é bem provável que ela sirva direitinho, com algumas exceções. Werner criticou a decisão do marido, o goleiro Julio Cesar, de deixar Lisboa, onde morava com a família, por um contrato com o Flamengo para satisfazer uma vaidade: encerrar a carreira onde começou.

São três meses de contrato. Parece pouco, mas é muito. São três meses que Susana terá que fazer a ponte aérea Lisboa-Rio SE QUISER ver o marido e LEVAR os filhos. A outra opção seria abandonar toda a vida construída na capital portuguesa — SEU TRABALHO — para ver o marido passeando entre Saquarema, Volta Redonda e Ilha do Governador com o seu time de futebol.

Está claro que essa balança está MUITO desequilibrada. Mais: que não houve conversa que precedesse a comunicação de que ele partiria no DIA SEGUINTE ao comunicado. Estava tudo bem até um dia antes, quando eles e os filhos jogavam boliche, como uma família.

Não é por ser Susana Werner, uma figura pública, que essa história está sendo discutida. Mas quantas famílias já não optaram pelo que o homem deseja fazer, em contraponto ao que A MULHER precisa fazer? Por que as mulheres continuam sendo questionadas sobre a criação de seus filhos enquanto os bonitões decidem em um dia que é hora de satisfazer uma vaidade?

Eu falo por mim: venho de um ambiente machista, de pais que não se misturavam com mães e filhos, que queriam a liberdade de caminhar sozinhos sem reconhecer nas crias sua responsabilidade. Vi, na vizinhança, crianças crescerem sozinhas, sem o pai, porque algum dia ele quis abandoná-las para viver o resto de sua juventude.

Conto exemplos de mães acumulando empregos e filhos cuidando da casa com irmãos porque o pai não estava ali, nunca esteve.

Isso era regra, e ainda deve ser em muitos lugares. Sempre identificava na dona Ana do Pedro Paulo, o Mano Brown, a história dessas mulheres que caminhavam sozinhas cuidando de seus filhos e sofrendo porque, em algum momento, algo poderia dar errado.

Susana não está exposta à vulnerabilidade dessas mães da periferia, mas sim às decisões de homens egoístas que acreditam que a vida deles importa mais que a dos outros. E os outros, nesse caso, deveriam ser as pessoas mais importantes na vida de Julio Cesar. Se a carapuça te serve, pense direitinho nas decisões que toma sem consultar quem vive contigo.