Três Pontos Por que a mulher é apenas uma escada para programas esportivos?

Por que a mulher é apenas uma escada para programas esportivos?

Mulheres, em conversas de futebol, são usadas para que homens "provem" que elas nada sabem. Quantas vezes um macho passa por isso?

A Marta tá de olho

A Marta tá de olho

Uma "escada" em programa de humor é um ator utilizado apenas para que as piadas sejam todas feitas em cima dele. São usados e abusados preconceitos, ingenuidades e inabilidades. A maior escada de todos os tempos da TV brasileira é Dedé Santana, que serviu como a muleta perfeita para Renato Aragão brilhar nos Trapalhões.

Mulheres, em conversas de futebol, muitas vezes são usadas como "escada" para que homens "provem" que elas nada sabem sobre o assunto. Pedem que digam a escalação de seu time, que cantem o hino e falem a escalação do, vá lá, Bangu de 1966. E a clássica: defina a regra do impedimento.

É desnecessário dizer que nenhum homem é submetido a isso. Nem eu, que sequer sei chutar uma bola e, mesmo assim, fui um dos editores da maior revista de futebol do Brasil por sete anos. Nunca fui questionado. Agora, mulheres, quantas vezes vocês foram, mesmo sabendo muito do assunto?

O episódio da afiliada da TV Bandeirantes em Goiás é só mais uma etapa nessa eterna prova pela qual as mulheres passam todo dia. Só que piorado. Inspirado no quadro "Bola na Fogueira", da MTV, que utilizava duplos sentidos em perguntas para personalidades do futebol, resolveram aplicar as perguntas às musas das torcidas do Estado.

Não vou entrar agora no debate das "musas das torcidas", por si só algo grotesco que jamais deveria existir. Por que só existem "musas", e não "musos"? Por que questionaria a virilidade dos machões que esbanjam suas barrigas nos botequins?

A mulher deveria ser inserida como torcedora, comentarista, jogadora, narradora. Como todos os outros esportes. Por que apenas no futebol existe essa divisão? O futebol feminino, abandonado depois da Olimpíada, teve uma evolução, embora tímida: na década de 1990, modelos eram escaladas pela beleza, e não pelo talento. Por sorte, Marta e o seu esplendor futebolístico vieram nos salvar.

O anúncio do fim do programa da Bandeirantes, quem sabe, seja um anúncio para que esse tipo de comportamento de apresentadores e jornalistas esportivos seja questionado e banido. Está na hora de deixar a 5ª série, pessoal.

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