Cúpula do Brics no Rio: 'O Brasil tem que se colocar como ator fundamental', afirma especialista
Bruno Pasquarelli analisa que bloco de economias emergentes pode assinar novos acordos e destaca relevância do grupo
Conexão Record News|Do R7
A cúpula do Brics ocorre em meio a um cenário de conflitos internacionais e expectativas geopolíticas elevadas, segundo Bruno Pasquarelli, doutor em ciência política, em conversa com o Conexão Record News desta sexta-feira (4). Para o especialista, apesar da ausência de figuras-chave como Vladimir Putin e Xi Jinping, o encontro ainda é estratégico para países do Sul global. “O Brics já teve força maior nos anos 2000, mas ainda é uma organização extremamente importante”, explica. A reunião acontece no Rio de Janeiro de domingo (6) a segunda-feira (7), com a presidência do Brasil.
Pasquarelli destaca que a ausência do presidente chinês pode estar relacionada à decisão do Brasil de não aderir à iniciativa da Nova Rota da Seda. Por outro lado, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, confirmou presença e “traz um peso fundamental para a cúpula”.
Segundo ele, a cúpula acontece em um contexto global conturbado. “Estamos num momento de polarização, de tarifação dos Estados Unidos, de guerra entre Rússia e Ucrânia, e de conflito entre Israel e Irã — que agora faz parte do Brics”.
O Brasil, por sua vez, tenta se apresentar como ator diplomático equilibrado com “uma posição mais pragmática, de não defender propostas anti-ocidentais como China e Rússia”, diz o especialista.
Entre os temas abordados pelo Brasil estão inteligência artificial, combate à pobreza e mudanças climáticas. A expectativa do governo brasileiro é garantir uma declaração final consensual entre os membros do bloco. “Um país que sedia o encontro deseja a todo custo essa declaração final. Isso mostra a capacidade do Brasil em trazer os temas centrais para o debate e em fechar acordos”, destaca Pasquarelli.
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