Domo de Ouro: 'O que estamos vendo agora é, literalmente, a guerra nas estrelas', diz especialista
Lier Ferreira analisa o projeto de construção do escudo antimísseis anunciado por Donald Trump e inspirado no Domo de Ferro israelense
Conexão Record News|Do R7
“Do ponto de vista bélico, militar, cientifico e tecnológico, é muito difícil”, afirma Lier Ferreira, pesquisador da Universidade Federal Fluminense, em conversa com o Conexão Record News desta quarta-feira (21) sobre o anúncio de um Domo de Ouro americano, inspirado no Domo de Ferro israelense. Segundo o professor, a dificuldade se dá porque o escudo americano detectaria os mísseis a partir de satélites no espaço, diferente do sistema israelense, que tem baterias no solo.
Ferreira disse também que não é a primeira vez que projetos como a Cúpula Dourada são apresentados por presidentes republicanos e que, desde Ronald Reagan, existem projetos dessa natureza. Para o analista, o custo de produção do escudo é irreal. Ele acrescenta que o papel da SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, ainda não foi revelado.
Apesar da difícil viabilização do projeto, o professor acredita, porém, que pode se tratar de uma realização sem precedentes e um divisor de águas sobre o que entendemos a respeito das guerras. "Ainda é uma proposta relativamente recente dentro da administração Trump. A gente vê muitas dificuldades pelo caminho, orçamentárias, políticas, militares, mas uma preocupação é importante a gente antecipar aqui. Se ela for materializada, ela estará projetando um novo patamar, uma nova escala da guerra. Até aqui, todas as guerras que nós vivenciamos ao longo da humanidade aconteceram dentro do planeta Terra. O que estamos vendo agora é, literalmente, a guerra nas estrelas", diz.
O presidente americano Donald Trump anunciou a construção de um escudo de defesa antimísseis, inspirado no Domo de Ferro usado por Israel e considerado o mais eficaz do mundo.
Batizado de Cúpula Dourada, o projeto deve custar US$ 175 bilhões (R$ 989,9 bilhões na cotação atual). O projeto promete ser mais ambicioso do que o israelense, com uso de satélites de vigilância e ataques capazes de detectar e neutralizar ameaças de longo alcance.
O anúncio saiu após a Agência de Inteligência de Defesa americana alertar que países como China, Rússia e Coreia do Norte representam riscos reais ao território norte-americano. Pete Hegseth, secretário de defesa americano, afirmou que a tecnologia vai proteger o país contra mísseis de cruzeiro, balísticos, hipersônicos e drones, sejam convencionais ou nucleares.
Trump afirma que a Cúpula Dourada vai ser concluída até o final de seu mandato em 2029.
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