Rio de Janeiro Após prisão, Orlando Diniz se afasta da presidência da Fecomércio-RJ

Após prisão, Orlando Diniz se afasta da presidência da Fecomércio-RJ

Investigado na operação Calicute, Diniz é suspeito de envolvimento em esquema de corrupção chefiado pelo ex-governador Sergio Cabral

Fecomércio-RJ

Preso em fevereiro, Diniz é investigado na operação Calicute

Preso em fevereiro, Diniz é investigado na operação Calicute

Reprodução/Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado

O empresário Orlando Diniz se afastou, nesta segunda-feira (12), oficialmente do cargo de presidente da Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro). Diniz é investigado na operação Calicute, um desdobramento da Lava Jato, e foi preso preventivamente pela PF (Polícia Federal) no dia 23 de fevereiro. 

Em nota, a Fecomércio confirmou também o recebimento da carta de renúncia de Diniz à candidatura ao cargo de presidente da entidade.

Com essa decisão, o empresário Antonio Florencio de Queiroz Junior, que assumiu a presidência interina da Fecomércio-RJ, se mantém no cargo até as próximas eleições.

Em dezembro do ano passado, Diniz foi afastado do Sesc/Senac do Rio pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Esquema

As investigações apontaram que pessoas ligadas à gestão da Fecomércio-RJ estariam envolvidas em operações irregulares incluindo o desvio de recursos, lavagem de dinheiro e pagamento, com recursos da entidade, de vultosos honorários a escritórios de advocacia, somando mais de R$180 milhões. 

Dentro deste valor estão incluídos cerca de R$ 20 milhões que teriam sido pagos ao escritório pertencente à esposa do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral. Diniz é investigado por lavagem de dinheiro e envolvimento com Cabral.

Segundo a PF, houve o pagamento de salários para pessoas que nunca trabalharam na Fecomércio. Estas seriam funcionários de Cabral e também familiares próximos de outros membros da organização criminosa que recebiam pela entidade.

Envolvimento com Cabral

O repasse de R$ 13.025.183,26, da Fecomércio-RJ ao escritório de advocacia da ex-primeira-dama do Estado, Adriana Ancelmo, já havia sido alvo da Lava Jato. Em novembro de 2016, quando o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) foi preso, o MPF (Ministério Público Federal) havia apontado um "crescimento vertiginoso" da banca.

Durante o governo Cabral, o escritório de Adriana Ancelmo recebeu R$ 35,8 milhões de 10 empresas. Uma delas, a Fecomércio-RJ.

Na época, a força-tarefa da Lava Jato chamou a atenção para "o assombroso volume de recursos que a Fecomércio — Federação das Indústrias do Comércio do Rio — passou a desembolsar para o escritório de Adriana Ancelmo principalmente em 2015 e 2016".

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