Confrontos em comunidades deixam mais de 5 mil alunos sem aulas no Rio

Bases de UPPs foram atacadas e quatro comunidades são alvos de operações

Trocas de tiros deixaram mais de cinco mil alunos da rede municipal de Educação do Rio sem aulas na manhã desta sexta-feira (2). Confrontos foram registrados em, pelo menos, oito comunidades. Em quatro delas, bases da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) foram atacadas por criminosos, segundo a Polícia Militar. Nas outras, tiros foram registrados durante operações policiais.

Policiais das unidades da Fé/Sereno no Complexo da Penha, do Borel na Tijuca e da Mangueira, todas na zona norte da cidade, foram atacados durante patrulhamento nas comunidades, segundo informou o Comando das UPPs. No Jacarezinho, tiros foram ouvidos porém a PM nega que tenha ocorrido confronto. Até o momento, não houve prisões nem feridos nas áreas.

Na Ladeira dos tabajaras em Copacabana, zona sul, policiais da unidade Tabajara/Cabrito prenderam um suspeito durante a madrugada. Christiano de Jesus da Silva, conhecido como Kiki, era foragido da Justiça e tinha três mandados de prisão expedidos contra ele. O suspeito circulava como moto-táxi na comunidade. Ele foi levado para a Delegacia de Copacabana (12ª DP), onde foi preso. Segundo a PM, não houve troca de tiros.

No morro do Juramento em Vicente de Carvalho, a polícia iniciou uma operação no começo da manhã. Os agentes foram recebidos a tiros e um intenso confronto foi registrado no local. Outras ações policiais também terminaram em confronto na comunidade Furquim Mendes em Vigário Geral e nas favelas do Rola e de Antares em Santa Cruz, zona oeste do Rio. Até às 13h não havia registro de feridos ou presos nessas regiões.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, ao todo, sete escolas e dez creches não funcionaram nesta sexta. São unidades próximas a comunidade da Coréia, Vila Aliança, Senador Camará, Borel, Vigário Geral, Juramento e Parque Silva Valle. Ainda segundo a secretaria, em 78 dias letivos de 2017 apenas em sete deles a rede funcionou sem nenhuma escola ou creche fechada devido a violência. 

Confronto na Coréia

No fim da tarde desta quinta-feira (1º), uma operação policial na favela da Coréia em Senador Camará, zona oeste, terminou com oito suspeitos baleados. Eles teriam sido socorridos no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas quatro não resistiram e faleceram na unidade. Entre eles, Gil Pinheiro dos Santos, conhecido como Mil Gol e apontado como o chefe do tráfico de drogas no complexo de favelas de Senador Camará.

Segundo o Comandante do Batalhão de Bangu (14º BPM), Alexandre Fontenelle, a operação começou após uma denúncia anônima que indicava que criminosos estariam se reunindo em uma casa na comunidade da Coréia. Ao iniciar a incursão na área, os policiais teriam sido recebidos a tiros e revidaram. No confronto, oito suspeitos foram baleados. Com eles, os agentes encontraram três fuzis, cinco pistolas, três granadas e rádios transmissores. O caso foi registrado na delegacia de Bangu (34º DP).

A intensa troca de tiros na tarde desta quinta, provocou a suspensão em algumas unidades escolares nesta manhã.