Caso Henry

Rio de Janeiro Empregada: Dr. Jairinho e Monique tomavam e davam remédio a Henry

Empregada: Dr. Jairinho e Monique tomavam e davam remédio a Henry

Doméstica relatou, em depoimento, episódio de abraço do menino no vereador. Depois, foi levado ao quarto e saiu de lá machucado

  • Rio de Janeiro | Viviane Felippe, da Record TV Rio

Resumindo a Notícia

  • Em depoimento à polícia, a empregada doméstica revelou que casal tomava 'muitos remédios'
  • Henry Borel, de 4 anos, também recebia da mãe medicamento para ansiedade três vezes ao dia
  • Faxineira relatou ainda episódio de suposta tortura do garoto no quarto de Dr. Jairinho
  • Empregada e babá demonstraram medo após padrasto se trancar com menino no quarto
Henry Borel, de 4 anos de idade, foi levado já sem vida a hospital do Rio

Henry Borel, de 4 anos de idade, foi levado já sem vida a hospital do Rio

Reprodução/Instagram

O casal Dr. Jairinho e Monique Medeiros, padrasto e mãe do garoto Henry Borel, que estão presos suspeitos pela morte do garoto, tomava muitos remédios. A mãe do menino, morto no início de março em um apartamento da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, também dava um medicamento para ansiedade e um xarope de maracujá para Henry.

A revelação é da empregada doméstica do casal, Leila Rosângela Mattos, em depoimento encerrado às 18h15 da última quarta-feira (14) à 16ª delegacia da Polícia Civil do Rio de Janeiro e obtido na íntegra pela Record TV e pelo R7. Henry morreu no dia 8 de março, ao ser levado do apartamento do casal para um hospital, onde chegou sem vida.

Leila não soube explicar a razão para o casal tomar os medicamentos, mas afirmou que Monique havia explicado a ela que os remédios "eram dados porque Henry não dormia direito, passava muito tempo acordado". Henry tomava a droga, cujo nome ainda não foi revelado, três vezes por dia, de acordo com relato da empregada.

A faxineira do casal informou ainda que Henry "chorava o tempo todo" e vomitava de vez em quando, mas não soube informar os motivos dos vômitos. Leila relatou uma passagem em que, diante do choro do garoto, a mãe, Monique Medeiros, falou que ele era "muito mimado" e que, se ele continuasse "chorando à toa", "levaria ele para morar com o pai dele". Henry, diz a empregada, teria afirmado que não queria morar com o pai.

Abraço, ida ao quarto e lesões

Em uma das supostas sessões de tortura no apartamento da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o vereador afastado Dr. Jairinho chegou em casa e recebeu um abraço do menino Henry, que saiu correndo do sofá e pulou no colo dele. Depois, Jairinho levou o garoto para o quarto, onde ficaram trancados por cerca de 10 minutos, para mostrar "algo que havia comprado para viajar".

Em seguida, o menino saiu do cômodo mancando e reclamou de dores no joelho e na cabeça à baba. Tudo isso teria acontecido na ausência da mãe, Monique Medeiros, que estava em um shopping da cidade. O episódio, que teria ocorrido em 12 de fevereiro de 2021, sexta-feira de Carnaval.

Leila disse que o episódio gerou estranheza, pois foi "a primeira que viu Henry ter tal comportamento, ou seja, de correr em direção ao colo de Jairinho". A empregada ficou tão surpresa que comentou o fato com a babá de Henry, que ligou para a mãe do menino, ainda no shopping, para relatar o caso.

Medo e apreensão das funcionárias

Tanto a empregada quanto a babá demonstraram sinais de medo e apreensão com o que acontecia no quarto, no qual padrasto e o garoto estavam trancados. A polícia perguntou a Leila se a porta estava aberta quando os dois estavam no cômodo, mas ela disse que não e só descobriu a porta fechada quando foi guardar roupas.

À polícia, a empregada disse que não ouviu barulhos vindos do quarto porque, "na maior parte do tempo, estava na cozinha". Também disse que a babá "ia até a cozinha e depois se dirigia à sala" nesse intervalo. 

Leila relatou que a babá "demonstrou preocupação com o fato de Jairinho estar trancado no quarto com Henry" e perguntou a ela qual o motivo. A babá então afirmou a ela que Monique "não queria que eles ficassem sozinhos no quarto", quando pediu para que a cuidadora do menino "fosse ao quarto, diante da preocupação então manifestada".

Desconfiada, Leila disse ter ido novamente ao closet, onde guardava roupas, e notou a porta ainda fechada. Quando saiu do cômodo, porém, "já viu a porta aberta e Henry saindo do quarto do casal, correndo". O menino foi para o colo da babá, que estava no sofá da sala, e falou a ela "que não queria mais ficar sozinho na sala". A empregada disse que reparou na "cara de apavorado" de Henry.

Em outro ponto do depoimento, a empregada disse ter ouvido da babá "que não queria ficar no apartamento sozinha, apenas ela e Henry". Mesmo sem estranhar a preocupação da babá, a empregada sugeriu, então, que descessem os três juntos. A empregada disse ter ido para casa, de onde ligou para a babá para saber do estado de saúde do garoto.

Tchau forçado

Ao sair do quarto e correr para o colo, o menino foi questionado pela babá o que havia acontecido. Henry nada respondeu à cuidadora, pelo menos enquanto a empregada estava presente, relatou no depoimento. 

Leila foi para a cozinha e viu Jairinho sozinho, se preparando para sair do apartamento. A empregada testemunhou, então, um momento que chamou a atenção da polícia: Jairinho chamou Henry para se despedir com um toque de mãos.

Henry, porém, "não quis ir 'bater na mão' de Jairinho. A babá levou o menino, no colo, para que Henry "batesse a mão na mão de Jairinho, o que foi feito". O vereador afastado saiu do apartamento na sequência, e as duas funcionárias ficaram com Henry.

Foi nesse momento que o garoto começou a mancar. A babá, então, perguntou ao garoto a razão da lesão. Henry respondeu que "havia caído da cama e que o seu joelho estava doendo".

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