Morte de Marielle Franco
Rio de Janeiro Grafites em homenagem a Marielle e Maria da Penha são refeitos no Rio

Grafites em homenagem a Marielle e Maria da Penha são refeitos no Rio

Obras da ativista Malala Yousafzai foram vandalizadas em dezembro de 2018. Na segunda-feira (14), assassinato de vereadora completou dez meses

Grafites em homenagem a Marielle e Maria da Penha são refeitos no Rio

Viúva de Marielle refaz grafite feito por Malala na comunidade Tavares Bastos

Viúva de Marielle refaz grafite feito por Malala na comunidade Tavares Bastos

Fernando Frazão/Agência Brasil

A viúva da vereadora Marielle Franco, Mônica Benício, refez no início da noite de segunda-feira (14) o grafite em homenagem à parlamentar assassinada em março de 2018. A obra, pintada pela ativista paquistanesa Malala Yousafzai em julho do ano passado, foi vandalizado cinco meses depois. Também foi refeito o grafite em homenagem à ativista Maria da Penha, apagado com tinta preta no dia 10 de dezembro, quando é comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

A homenagem a Marielle e Maria da Penha foi feita por Malala, usando a técnica stencil em parceria com a grafiteira Panmela Castro. O stencil consiste no uso de uma forma com o traçado do desenho a ser pintado. Panmela é fundadora da Rede Nami, um grupo que forma grafiteiras e discute violência conta a mulher na favela Tavares Bastos, no Catete, zona sul do Rio de Janeiro.

A grafiteira disse que refazer o retrato de Marielle no muro, com o apoio da dona da casa, foi um ato de resistência.  "As pessoas estão tentando abafar o que aconteceu e tirar a nossa voz, mas a gente está resistente. A gente vai refazer quantas vezes precisar", disse a artista, que também distribuiu 600 cartazes que trazem reproduções do grafite de Marielle.

Panmela organizou o ato para refazer o grafite e teve o apoio de coletivos de mulheres e blocos de carnaval. Mônica Benício disse que fez questão de participar e reconstruir a homenagem com suas próprias mãos, usando a mesma técnica usada por Malala.

"Queria que fosse feito com solidariedade, com afeto e com amor. Pedi a participação de blocos coletivos e das mulheres da resistência sapatão, para fazer algo com cara de Marielle, com alegria. Ela era uma pessoa que gostava muito de celebrar a vida. É fundamental para a gente dizer que vai ter resistência e que a memória da Marielle não vai ser violentada e não ser esquecida", disse Mônica.

Investigações

A viúva de Marielle disse que acompanha com pouco ânimo as últimas declarações de autoridades sobre o caso. Recentemente, o governador Wilson Witzel disse que a investigação está perto de um desfecho e, na segunda, o procurador-geral de Justiça do estado do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, disse que não há dúvidas da ligação de milicianos com o assassinato.

"Não consigo ver essas notícias com grande ânimo, porque desde o meio do ano passado é dito pelas autoridades que o caso está perto de ser solucionado", disse Mônica, que torce para que dessa vez os resultados da investigação apareçam. "As autoridades não mostram nada de concreto que faça a gente acreditar que isso seja real".

Para Mônica, é muito importante que o poder público se comprometa a garantir que o resultado das investigações seja preciso e bem embasado. "Quem pode achar sou eu que não sou autoridade. As autoridades competentes envolvidas no caso tem que garantir com certeza. Inclusive existe o medo de que seja entregue uma resposta que não seja uma resposta real a fim de tentar silenciar o caso e encerrar essa história".

Bloco

Ao fim da pintura do grafite, o ato tomou forma de um bloco de carnaval e desceu parte da ladeira Tavares Bastos, distribuindo os cartazes em homenagem à vereadora assassinada e cantando sambas e marchinhas de carnaval. Mônica disse que fazer justiça à Marielle é uma luta que não termina com a prisão dos responsáveis por sua execução.

"A Justiça para Marielle não se fará só no resultado das investigações, mas na disputa por uma sociedade mais justa e igualitária por que ela lutava e é o que vamos seguir lutando".

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