Morte de Marielle Franco
Rio de Janeiro Justiça manda transferir Orlando Curicica para presídio federal

Justiça manda transferir Orlando Curicica para presídio federal

Envolvido por testemunha no assassinato de Marielle Franco, ex-PM está em greve de fome e sofreu tentativa de envenenamento, diz defesa

transferência orlando curicica

Orlando Curicica foi preso em outubro de 2017

Orlando Curicica foi preso em outubro de 2017

Reprodução

A Justiça do Rio de Janeiro autorizou, nesta segunda-feira (14), a transferência do ex-policial e acusado de chefiar milícia Orlando Oliveira de Araújo, também chamado de Orlando Curicica, para um presídio federal de segurança máxima. De acordo com o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), o pedido do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) foi aceito pela 5ª Vara Criminal da Capital. Ainda não definido o presídio para o qual o preso, que foi envolvido por uma testemunha no assassinato de Marielle Franco, será levado.

No pedido, o MP diz que a transferência “é de grande relevância para o interesse da segurança pública, visando inibir a atuação do preso em referência e de coibir eventuais associações criminosas, bem como quaisquer outras práticas que atentem contra o Estado e a população”.

Segundo documento elaborado pelo Serviço de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança, Orlando é apontado como principal líder da Milícia de Jacarepaguá. Ele foi preso em 2017 por porte ilegal de arma de fogo, de acessórios e munição de uso restrito. O suspeito também já foi condeado por crimes de roubo e responde a processos por crime de organização criminosa armada e homicídio qualificado, informou o TJ.

O advogado de Orlando, Renato Darlan, havia solicitado à Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) a transferência de seu cliente, que está preso em Bangu 1. Segundo Renato Darlan, Araújo já sofreu uma tentativa de envenenamento e está em greve de fome há quatro dias.

Darlan esteve na DH (Delegacia de Homicídios) onde tentou, sem sucesso, ter acesso ao depoimento da testemunha que teria apontado Araújo e o vereador Marcello Siciliano (PHS) como mandantes do assassinato da vereadora. Ele contou que tampouco conseguiu falar com o delegado responsável pelo caso, Giniton Lages, que esteve em Bangu 1 na quinta-feira para conversar pessoalmente com Araújo.

"O Orlando está em greve de fome absoluta, está debilitado, nem sei como vou encontrá-lo", explicou o advogado. "Consideramos que isso seja uma espécie de tortura emocional, de tentar fazer com que ele fale coisas que não sabe."

Na última sexta-feira, Darlan afirmou que a visita do delegado a seu cliente foi para pressioná-lo a confessar a participação na morte de Marielle e de seu motorista Anderson Gomes. A Secretaria de Segurança confirmou que o delegado esteve em Bangu 1 e se encontrou com o ex-PM, mas disse que foi a pedido do preso.

"Não haveria o menor sentido o Orlando chamar o delegado para conversar e fazer essa proposta louca de assumir um crime que não é dele", garantiu Darlan.

Sobre a determinação da Justiça para que Orlando seja transferido para um presídio federal, a defesa dele disse não ter sido informada, mas que vai se posicionar assim que for notificada pela Justiça.

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