Rio de Janeiro Justiça nega prisão de entregador acusado de matar porteiro no Rio

Justiça nega prisão de entregador acusado de matar porteiro no Rio

Família de vítima relata sentimento de “consternação” com decisão e espera que agressor seja levado à júri popular

  • Rio de Janeiro | Victor Tozo, do R7*

Resumindo a Notícia

  • Justiça nega prisão de entregador acusado de matar porteiro na Barra
  • Família se diz consternada com a decisão do TJ-RJ
  • Magistrado aceitou a denúncia do MP-RJ por homicídio qualificado
  • Vítima morreu após ter sido golpeada na cabeça com barra de ferro
Porteiro Jorge José Ferreira morreu após ser espancado

Porteiro Jorge José Ferreira morreu após ser espancado

Reprodução

O TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) negou o pedido de prisão contra o entregador acusado pela morte do porteiro Jorge José Ferreira, no dia 29 de março, em um prédio da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. 

O juiz Carlos Gustavo Vianna, da 1ª Vara Criminal do Rio, aceitou a denúncia do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por homicídio qualificado, mas considerou o pedido de prisão preventiva “prematuro”. 

Na decisão, ele afirmou que o decreto de prisão deve ser motivado por receio de perigo ou fundamentado pela existência de novos fatos concretos que justifiquem a medida. Por outro lado, o juiz determinou medidas cautelares, entre elas estão o comparecimento trimestral em juízo e proibição de manter contato com testemunhas. 

O magistrado destacou ainda que o réu é primário e possui emprego lícito, além de ter sido absolvido por um crime de lesão corporal pelo qual foi denunciado em 2016.

Por meio de nota, a família do porteiro Jorge declarou que o “sentimento é de consternação” frente à decisão da Justiça e que recebeu a notícia com "surpresa".

Os parentes declararam que estão de luto pela morte de Jorge, enquanto o acusado segue em liberdade. A família espera que o entregador seja levado à júri popular.

Relembre o caso

No dia 29 de março, um motoboy de 31 anos, foi abordado por Jorge, de 58, após realizar uma entrega no edifício da Barra da Tijuca. O porteiro pediu ao entregador que saísse do prédio pela entrada de serviço, ao invés da social, o que levou os dois a iniciarem uma discussão.

Na ocasião, o motoboy divulgou um vídeo dizendo que havia sido agredido pelos funcionários do condomínio. Nas imagens, era possível ver o entregador sendo imobilizado. Ele chegou a convocar uma manifestação de entregadores na frente do prédio.

No entanto, as imagens das câmeras de segurança desmentiram a versão do motoboy, mostrando que ele foi o primeiro a desferir chutes contra o porteiro na discussão. Jorge pegou, então, uma barra de ferro e acertou o entregador na perna, mas foi desarmado por ele, que o golpeou diversas vezes na cabeça.

O porteiro foi levado para o hospital Miguel Couto, na zona sul do Rio e, depois de entrar em coma, não resistiu aos ferimentos, falecendo no último dia 3. O porteiro trabalhava no prédio da Barra da Tijuca há 15 anos. O laudo da perícia aponta como causa da morte “traumatismo de crânio com hemorragia das meninges; ação contundente”.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

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