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Rio de Janeiro Matança de macacos é tema de audiência pública na Alerj

Matança de macacos é tema de audiência pública na Alerj

Mais de 300 animais foram encontrados mortos no estado em menos de dois meses; primatas não transmitem febre amarela, alerta campanha

Matança de macacos é tema de audiência pública na Alerj

Em 2018, 325 animais foram mortos

Em 2018, 325 animais foram mortos

Reprodução/Vigilância Sanitária

Seis macacos foram encontrados mortos por dia no estado do Rio este ano. Ao todo, já são 325 animais mortos nos primeiros 52 dias de 2018, destes 170 foram recolhidos apenas na capital fluminense. A maior parte é vítima de agressão humana, como espancamento e envenenamento.

Para a Vigilância Sanitária, os animais estão sendo vítimas de um massacre impulsionado pelo medo do avanço da febre amarela no estado. Porém, o órgão alerta que “o macaco não é só vítima, mas um grande aliado no combate à doença”. Este é o tema da campanha lançada pela instituição para tentar sensibilizar a população sobre a matança dos primatas.

O número de animais encontrados mortos entre 1º de janeiro e 21 de fevereiro deste ano já ultrapassou o total registrado durante o primeiro semestre de 2017. A matança dos animais tem preocupado as autoridades e é tema de uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (28), na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio).

O assunto será debatido pela Comissão Especial de Defesa, Proteção e Direito dos Animais da Alerj, com participação de integrantes da Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses da Prefeitura do Rio, além de representantes de ONGs de proteção aos animais e pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

O presidente da comissão, deputado Carlos Osorio (PSDB), destacou que matar animais silvestres é crime.

— Existe legislação em vigor, tanto federal, quanto estadual que pune a matança de animais da nossa fauna silvestre. Existem espécies em extinção que estão sendo atacadas por falta de informação. Os macacos são tão vítimas quanto os humanos e não transmitem a febre amarela — alertou o parlamentar.

Os macacos, segundo a Vigilância Sanitária, são fundamentais para o monitoramento da febre amarela. A identificação de um animal doente indica em quais áreas o vírus está circulando. Porém, se a matança de primatas continuar, não haverá animais para serem monitorados, dificultando o controle e combate à doença.

Campanha da Vigilância Sanitária

Campanha da Vigilância Sanitária

Reprodução/Vigilância Sanitária

De acordo com a Vigilância Sanitária, ainda não foram encontrados animais contaminados no município do Rio. O último balanço da Secretaria Estadual de Saúde, divulgado nesta terça-feira (27), registrava 99 casos da doença no estado, com confirmação de 44 óbitos. O mesmo informe indicava ainda a confirmação de nove primatas por febre amarela.

A campanha da Vigilância Sanitária orienta que as pessoas não toquem em animais encontrados mortos e “acionem os técnicos da área de zoonoses do órgão, por meio da central de atendimento 1746”.

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