Moradores reclamam de abordagens das Forças Armadas na Rocinha

Residentes se queixam do excesso de revistas e de agressões físicas e verbais

"Não tenho nada a ver com isso", esbraveja revistado
"Não tenho nada a ver com isso", esbraveja revistado José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo

O trabalho das Forças Armadas na Rocinha, em apoio às operações das polícias Civil e Militar, está interferindo na rotina dos moradores da comunidade. Eles reclamam do excesso de revistas e até de agressões físicas e verbais. Neste sábado (23), a comunidade permanece ocupada.

"Ser revistado não é o problema. O pior é o esculacho [desrespeito]. Hoje mesmo já apanhei duas vezes. Levei chutes na canela. Se pudesse, eu revidava", reclamou um jovem, na parte baixa da comunidade, ao lado de uma quadra esportiva.

Disque Denúncia oferece R$ 1.000 por informações de procurados

Outro morador, que acabava de ser revistado por homens da PE (Polícia do Exército), estava indignado: "Não tenho nada a ver com isso aí", protestou, dizendo que já era a segunda revista do dia.

No mesmo local, ao lado da quadra esportiva, que fica na saída do Túnel Zuzu Angel, uma briga entre dois homens que bebiam num bar foi dispersada por homens da PE com uso de gás de pimenta. Porém, o gás se espalhou com o vento e atingiu um grupo de mulheres e crianças, incluindo dois bebês de seis meses e quatro meses.

"Foi horrível. Eu vomitei e o meu bebê está com o rosto todo vermelho", reclamou uma das mães.

O sargento da PE que disparou o gás explicou que apenas usou força proporcional e que a alternativa do gás é melhor do que o contato físico. "Se nós intervimos, um dos homens pode agarrar nossas armas. Infelizmente o vento não foi favorável", explicou o sargento.

Caveirão atropela moto

Em outro ponto da comunidade, conhecido como Largo do Boiadeiro, um blindado da PM (Polícia Militar), conhecido como Caveirão, passou por cima da moto de um mototaxista.

"O prejuízo passa de R$ 3.000. Empenou o chassis, quebrou a balança e a pedaleira. Dependo desse trabalho para sustentar minha família", reclamou Henrique Gonçalves de Araújo.

O CML (Comando Militar do Leste) foi procurado, mas não havia se pronunciado sobre a reclamação dos moradores até a publicação desta reportagem. A PM também foi procurada, mas ainda não se pronunciou sobre a questão da motocicleta.