Morte de Marielle Franco
Rio de Janeiro Motorista cobria amigo e fazia bico para vereadora morta no Rio

Motorista cobria amigo e fazia bico para vereadora morta no Rio

Anderson Gomes, de 39 anos, cobria a falta do motorista efetivo da parlamentar; vítima deixou mulher e filho de 1 ano

Motorista Marielle

Anderson foi atingido por três tiros

Anderson foi atingido por três tiros

Reprodução/Facebook

Um cara querido por todos, trabalhador, honesto, bom marido e ótimo pai. É assim que a família descreve Anderson Pedro Gomes, de 39 anos, assassinado na noite desta quarta-feira (14), junto com a vereadora Marielle Franco (Psol). Era Anderson quem dirigia o veículo atingido por, pelo menos, nove disparos.

Casado há quatro anos, ele era pai de um menino, de 1 ano, e morava com a família na zona norte do Rio de Janeiro. Por telefone, a cunhada contou que Anderson sempre trabalhou como motorista e, após perder o emprego, fazia bicos em aplicativos de carona.

Às vezes, trabalhava também com Marielle, mas, na última semana, foi chamado mais vezes para o serviço porque o amigo, que era o motorista efetivo da parlamentar, se machucou.

Ontem à noite, Anderson cobria a falta do amigo quando foi assassinado. Os disparos efetuados contra o veículo atingiram Marielle, que estava no banco de trás, e Anderson, que dirigia o carro. Ela foi alvejada com, pelo menos, quatro tiros na cabeça. Ele foi atingido por três disparos nas costas.

"O Anderson era tudo para a minha irmã, tudo para o filho dele. A gente perdeu um amigo, a mãe dele perdeu um filho e meu afilhado não vai lembrar do pai. A gente quer justiça, mas também quer que nosso momento de dor seja respeitado", disse Julia Arnaus, cunhada de Anderson.

"Eu acho que todo mundo que perde alguém dessa forma quer uma resposta da Justiça, mas a nossa dor é maior que tudo, não vai trazer ele de volta", afirmou.

Anderson Gomes será velado junto com a vereadora Marielle Franco na Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, região central do Rio de Janeiro, na tarde desta quinta-feira. 

A DH (Divisão de Homicídios) da Polícia Civil do Rio de Janeiro adotou a hipótese de execução na investigação do crime. A assessora da vereadora, que também estava no veículo, conseguiu escapar sem ferimentos.

Ela prestou depoimento durante a madrugada, mas o conteúdo não foi divulgado. Para a polícia, os suspeitos sabiam exatamente a posição da vereadora dentro do veículo, portanto, foi um crime planejado e pensado anteriormente.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Raphael Hakime

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