Rio de Janeiro MP investiga outros dois policiais por duas mortes em Jacarezinho

MP investiga outros dois policiais por duas mortes em Jacarezinho

Em coletiva, promotor afirmou que responsável por morte de policial em operação já foi identificado

  • Rio de Janeiro | Victor Tozo, do R7*

Autor de morte de policial já foi identificado

Autor de morte de policial já foi identificado

Reprodução

Em coletiva realizada na tarde desta sexta-feira (15), promotores do MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro)  declararam que outros dois policiais são investigados pela morte de duas pessoas na comunidade do Jacarezinho, durante a operação mais letal da história do Estado.

De acordo com o promotor de Justiça Mateus Pinaud, membro da Força-Tarefa que apura as mortes na comunidade, a investigação foi dividida por 13 diferentes locais onde foram registradas mortes na comunidade. Dos mais de 300 policiais empregados na ação, 24 registraram ocorrências fatais. Até o momento, 44 testemunhas foram ouvidas.

O promotor André Cardoso, coordenador da Força-Tarefa, revelou que a Polícia Civil e o MP-RJ já identificaram o responsável pela morte do agente. Ele afirmou que o órgão avalia a necessidade de realizar mais diligências antes do oferecimento da denúncia.

Pinaud reforçou os indícios de alterações na cena do crime investigada. De acordo com ele, a granada supostamente encontrada junto a uma vítima teria sido implantada no local.

"Rejeitamos a tese de que a granada estivesse no lugar em que foi fotografada. [...] Tem cenários que o policial recolheu a arma. Em outros, deixou. [Na denúncia apurada], a granada foi mantida. Outras foram retiradas. Falta protocolo na atuação [dos policiais]", disse o promotor.

Além disso, Pinaud declarou que o órgão possui indícios de que presos na operação teriam auxiliado policiais a movimentarem corpos na cena do crime.

Dois já foram denunciados

Na manhã desta sexta, dois policiais militares foram denunciados pelo MP-RJ pela morte de Omar Pereira da Silva, de 21 anos. Segundo os promotores, ele possuía passagens pela polícia e foi apontado por testemunhas como traficante na comunidade.

Pinaud ressaltou que, segundo testemunhas, Omar já estava desarmado quando foi morto no interior de um aposento infantil em uma residência do Jacarezinho. Além disso, relatos dão conta de que os moradores da casa foram retirados antes da chegada da polícia, o que descarta a possibilidade de que estariam sendo feitos de reféns.

Comunidade de Jacarezinho

Comunidade de Jacarezinho

Arquivo/ Reuters/ Sergio Moraes

Para os promotores, houve excesso na ação dos agentes. “Na denúncia de hoje, os policiais ultrapassaram o limite e cometeram homicídio”, disse Cardoso. “No sistema brasileiro, não existe pena de morte. E, se existisse, seria aplicada por um juiz. Policial não é juiz nem do fato nem da pena”, afirmou Pinaud.

Os dois agentes foram denunciados por fraude processual na forma da lei de abuso de autoridade, com base na acusação de terem removido o corpo da vítima do local antes da realização da perícia e implantado uma granada na cena do crime. O MP pediu à Justiça o afastamento dos policiais das funções públicas, no que diz respeito à participação em operações policiais.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Paulo Guilherme

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