Rio de Janeiro MP-RJ denuncia 13 PMs por remoção de corpos em 2019

MP-RJ denuncia 13 PMs por remoção de corpos em 2019

Ação na comunidade do Fallet, na região central, deixou 15 mortos; Ministério Público considera que retirada atrapalhou investigações

  • Rio de Janeiro | Victor Tozo, do R7*

Operação no Falltet-Fogueteiro deixou 15 mortos em 2019

Operação no Falltet-Fogueteiro deixou 15 mortos em 2019

Agência Brasil / Arquivo

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) denunciou 13 policiais militares pela remoção de nove corpos de dentro de uma residência durante uma operação que deixou 15 mortos na comunidade do Fallet-Fogueteiro, região central da cidade, em 2019.

A decisão da 2ª Promotoria de Justiça Junto à Auditoria de Justiça Militar torna réus no processo um capitão, dois sargentos, oito cabos e dois soldados da PM.

Os denunciados irão responder pelo crime de fraude processual, por não terem preservado o local da ação, prejudicando as investigações com a remoção indevida dos corpos. De acordo com o MP-RJ, a remoção se deu para induzir o perito criminal a erro.

O capitão, na condição de superior hierárquico no dia da operação, também responderá por omissão, já que, segundo o MP, tinha por lei o dever de vigilância sobre a ação de seus subordinados e não impediu a retirada dos cadáveres.

Relembre o caso

O confronto no Fallet-Fogueteiro ocorreu no dia 8 de fevereiro de 2019 e deixou 15 mortos se tornando uma das operações mais letais da história do Rio de Janeiro - posto agora ocupado pela ação realizada no Jacarezinho em maio deste ano.

A Polícia Militar informou, na ocasião, que a corporação foi acionada para intervir em um conflito entre facções rivais pelo controle da comunidade.

No entanto, moradores e familiares das vítimas contestaram a versão da PM, afirmando que os agentes teriam torturado e executado nove dos suspeitos. Segundo os relatos, eles sofreram agressões e facadas no peito e na barriga antes de serem mortos.

Outros comportamentos dos agentes foram criticados pelos moradores, como disparos a esmo, ameaças, invasões de propriedade e bloqueios na saída da comunidade.

Em outubro de 2019, o inquérito aberto pela Polícia Militar para investigar possíveis irregularidades na operação concluiu que não houve "crime ou transgressão por parte dos policiais militares envolvidos no episódio".

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas

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