Morte de Marielle Franco
Rio de Janeiro "Não interessa qualquer resultado", diz companheira de Marielle

"Não interessa qualquer resultado", diz companheira de Marielle

Declaração foi dada após encontro com o chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa; reunião ocorreu um mês após a morte da vereadora e do motorista

Marielle Franco

Família esteve na chefia da Polícia Civil

Família esteve na chefia da Polícia Civil

JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 16.04.2018

A companheira da vereadora Marielle Franco (PSOL), Mônica Benício, afirmou, nesta segunda-feira (16), que a família não quer "qualquer resultado" das investigações sobre o assassinato, mas a verdade. A declaração foi dada após encontro com o chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa. 

— Entendemos que todos estão aflitos por uma resposta, mas ninguém mais do que a família. Aguardaremos o tempo necessário para termos a verdade. Não temos dúvidas de que chegaremos ao resultado correto e justo. São dois momentos diferentes, o da nossa angústia e o das investigações. — afirmou Mônica.

Na reunião também estiveram presentes os pais de Marielle, Antonio e Marinete, a filha da vereadora, Luyara e a família do motorista Anderson Gomes, que dirigia o carro em que ela estava, e também morreu. O crime foi no dia 14 de março e tudo indica que teve motivação política.

Milícias

Mais cedo, no Rio, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, declarou que a principal linha de investigação da polícia para o caso é a participação de milícias.

O chefe da Polícia Civil, delegado Rivaldo Barbosa, afirmou que só vai divulgar informações sobre as investigações quando o inquérito for concluído. De acordo com Barbosa, as pistas sobre a autoria e a motivação dos crimes não serão informadas parcialmente.

— O inquérito é sigiloso. A gente entende o anseio da família e da sociedade para uma resposta rápida. Estamos lidando com um crime bastante complexo, que demanda apuração mais detalhada. Traz um desafio maior. Estamos nos empenhando ao máximo. Temos expectativa muito boa. A Polícia Civil já entendeu grande parte do cenário do crime. Peço que a sociedade entenda que não vamos descansar enquanto não resolvermos esse caso.

O deputado estadual do Rio Marcelo Freixo (PSOL) também participou da reunião e disse que não se deve esperar o fim do inquérito para breve.

— A Polícia Civil entende que a angústia da família é diária, e a família entende que o tempo da investigação é diferente. Não adianta a gente achar que a investigação vai atender à nossa velocidade.

Freixo trabalhou com Marielle por onze anos - ela começou a vida política em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio; atuou na equipe da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias da Casa, presidida pelo deputado, e também na Comissão de Direitos Humanos. Os dois eram amigos próximos.

"Não interessa à família quem é mais ou menos suspeito, o que nós queremos é saber quem matou e quem mandou matar. Não cabe a nenhum ministro ou político falar de investigação, qualquer informação dessa atrapalha. Não é um caso corriqueiro. Estamos aqui para deixar claro que esse caso não será esquecido, apagado por uma outra tragédia", declarou Freixo, referindo-se à declaração de Jungmann. 

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