Rio de Janeiro “Não sou o primeiro”, diz Cabral sobre passeio de helicóptero oficial com família; MP investiga

“Não sou o primeiro”, diz Cabral sobre passeio de helicóptero oficial com família; MP investiga

Governador do Rio negou irregularidades pelo uso veículo da FAB para fins pessoais

Segundo a revista Veja, até o cachorro da família Juquinha tem o hábito de viajar para Mangaratiba de helicóptero

Segundo a revista Veja, até o cachorro da família Juquinha tem o hábito de viajar para Mangaratiba de helicóptero

Reprodução Rede Record / Marcos de Paula / Arquivo Estadão Conteúdo

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, se defendeu nesta segunda-feira (8) das denúncias da revista Veja sobre o fato de ele usar um helicóptero oficial do Estado para levar a família para passeios na praia de Mangaratiba, na região costa verde do Rio. Em entrevista coletiva concedida em Brasília, Cabral afirmou que, pelo cargo que ocupa, tem o direito de se locomover com a aeronave e que não há irregularidades.

— Não sou o primeiro a fazer isso no Brasil, outros fazem também. Faço de acordo com o cargo que ocupo. Não estou fazendo nenhuma estripulia, não é nenhuma novidade. Eu me transporto com a minha família quando saio do trabalho e vou para essa casa em Mangaratiba. E rodo o Estado inteiro nas aeronaves. Não só eu como o secretário de Estado, subsecretários, presidentes de empresas, a chefe da Polícia Civil.

O procurador-geral de justiça Marfan Martins Vieira afirmou que o Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou um procedimento para apurar denúncias de uso indevido do helicóptero oficial pelo governador.

Detalhes da denúncia

De acordo com a publicação de sábado (6) da revista Veja, Cabral usa um helicóptero modelo Agusta AW109 Grand New, comprado por R$ 15 milhões em 2011, para levar a mulher, as duas filhas, duas babás e até Juquinha — o cão de estimação da família — do Rio de Janeiro para a casa de praia em Mangaratiba. O custo mensal do helicóptero para o Estado é de R$ 312 mil ou R$ 3,8 milhões por ano, segundo cálculos da revista. 

Um piloto, que não quis se identificar, afirmou à publicação que a aeronave parte toda sexta-feira com a mulher, as filhas, as babas e o cachorro para Mangaratiba e retorna ao Rio de Janeiro no mesmo dia. Depois, no sábado, leva apenas o governador. No domingo, o helicóptero faz duas viagens: a primeira traz a família de Cabral e a segunda, as babás.  

Veja outros políticos que já pegaram carona no dinheiro do povo

Leia mais notícias de Brasil e Política

Outros casos

Na última sexta-feira (5), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), informou por meio de nota oficial, que devolveria R$ 32 mil aos cofres públicos. O dinheiro é referente ao uso indevido de um avião da FAB, que partiu de Maceió (AL) para Porto Seguro, no sul da Bahia, no dia 15 de junho.  

Antes de Renan, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), também usou um avião da FAB para fins pessoais. Ele partiu, ao lado de sete familiares, de Natal (RN) para o Rio de Janeiro (RJ) na sexta-feira que antecedeu a final entre Brasil e Espanha, no estádio do Maracanã, pela Copa das Confederações.

O avião, que teria capacidade para 50 pessoas e estava com praticamente um quinto da capacidade, retornou a Natal domingo (30) à noite. Alves devolveu R$ 9.700 à União na última quarta-feira (3), dinheiro destinado ao ressarcimento ao uso indevido da aeronave da FAB.  

O ministro da Previdência, Garibaldi Alves (PMDB-RN), também aproveitou um jato da FAB (Força Aérea Brasileira) para ir ao jogo do Brasil na final da Copa das Confederações, no Rio de Janeiro no domingo (30), no estádio do Maracanã.

Segundo a Agência Estado, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, teria usado recursos da Corte para se deslocar de Brasília ao Rio de Janeiro no fim de semana de 2 de junho, quando assistiu ao jogo Brasil e Inglaterra no estádio do Maracanã.

STF negou o uso indevido e afirmou que Barbosa retornou para a sua residência no Rio de Janeiro, "como faz regularmente há mais de 10 anos, desde que empossado no Supremo".

Últimas