Rio de Janeiro Número de agentes de segurança baleados no RJ dobra em julho

Número de agentes de segurança baleados no RJ dobra em julho

Relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado revela aumento na violência contra policiais e número de tiroteios no estado

  • Rio de Janeiro | Rafaela Oliveira, do R7*

Agentes foram mais baleados

Agentes foram mais baleados

Divulgação/ Polícia Militar/Arquivo

O Instituto Fogo Cruzado divulgou, com exclusividade para o R7, os números da violência no Rio de Janeiro do mês de julho. Segundo o levantamento, o número de agentes de segurança baleados mais que dobrou na região do Grande Rio, sendo o mês com mais mortes destes profissionais em 2021. 

Apenas no último mês, o Instituto registrou 21 agentes de segurança baleados - 110% a mais que o registrado no mesmo período do ano passado. A categoria inclui policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas (na ativa, na reserva ou reformados). 

Destes, oito morreram. Um estava em serviço, quatro fora e três eram aposentados/exonerados. Entre os feridos, seis foram atingidos quando estavam em serviço, outros seis fora e apenas um era aposentado/exonerado.

Ainda de acordo com o levantamento mensal do Instituto Fogo Cruzado, os policiais militares são a categoria mais afetada pela violência armada. Entre os 21 agentes baleados no mês, 16 eram PMs, dois eram militares das Forças Armadas, um era da Polícia Civil, um do Corpo de Bombeiros e um guarda municipal.

Em segundo lugar com mais mortes de agentes está o mês de março, com 20 agentes baleados.

Casos

Na última semana do mês, dois agentes de segurança foram mortos a tiros em menos de 24 horas. O cabo da Polícia Militar, Leonardo Sá da Silva, de 39 anos, foi baleado durante uma tentativa de assalto na manhã do dia 28, no Centro de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Policial morreu durante arrastão

Policial morreu durante arrastão

Reprodução/Record TV Rio (28/07/21)

Já o Policial Civil, Marcelo dos Santos Dias Cola, de 56 anos, foi morto por bala perdida durante um arrastão que terminou em confronto policial em Santa Rosa, Niterói, quando passeava com o cachorro na noite do dia 27.

"O número de agentes baleados vem crescendo depois de uma queda significativa nos últimos meses. Desde janeiro, a ADPF 635 vem sendo desrespeitada e ações policiais sem o devido planejamento vem sendo feitas, como mostra o estudo conjunto da UFF e Fogo Cruzado, vitimando inclusive policiais. A análise dos dados de vitimização de agentes no primeiro semestre deixa isso ainda mais claro", analisou a diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, Cecília Olliveira.

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Mais números de julho

No mês de julho, foram registrados 376 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio, dos quais em 35% tiveram participação de agentes de segurança. No mesmo período do ano passado, este número foi 10% menor: 341, sendo 70 deles (21%) com a presença de agentes.

Ao todo, no último mês, 179 pessoas foram baleadas no Grande Rio: destas, 94 morreram e 85 ficaram feridas. Isto representa um aumento de 59% e 89% no número de pessoas mortas e feridas, respectivamente, em comparação com o mesmo mês do ano passado (quando houve 104 baleados, sendo 59 mortos e 45 feridos).

Já em comparação com o mês de junho, que teve 395 confrontos que deixaram 143 pessoas baleadas, sendo 74 mortas e 69 feridas, julho teve queda de 5% nos tiroteios, mas aumento de 27% nos mortos e 23% nos feridos.

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O dia 15 teve o maior número de tiroteios, com 22 registros no total. Já no dia 12, houve o número mais elevado de mortos (9) e, o dia 27, o maior número de feridos (10).

Locais mais afetados

O Rio de Janeiro concentrou 58% dos tiroteios acumulados na Região Metropolitana do estado em julho, com 376 registros. Os cinco mais afetados pela violência armada no mês foram:

- Rio de Janeiro: 210 tiroteios, 34 mortos e 28 feridos. Entre os bairros mais atingidos pela violência armada no mês estão: Vila Kennedy (zona oeste): 15 tiroteios e quatro mortos, Andaraí (zona norte): 11 tiroteios e um ferido, Realengo (zona oeste): 10 tiroteios, dois mortos e um ferido, Grajaú (zona norte): 10 tiroteios, Tijuca (zona norte): nove tiroteios, um morto e três feridos). 

- São Gonçalo - Região Metropolitana: 56 tiroteios, 25 mortos e 29 feridos.

- Duque de Caxias - Baixada Fluminense: 30 tiroteios, quatro mortos e seis feridos.

- Niterói - Região Metropolitana: 23 tiroteios, nove mortos e sete feridos.

- São João de Meriti - Baixada Fluminense: 13 tiroteios, um morto e três feridos.

Violência na Capital

Entre as regiões que compõem a Região Metropolitana do estado, a zona norte do Rio concentrou 30% dos tiroteios registrados em julho, com 114 tiroteios, 12 mortos e 16 feridos. Já o Leste Metropolitano acumulou 38% dos mortos e 49% dos feridos, com 90 tiroteios, 36 mortos e 41 feridos.

A Baixada Fluminense teve 76 tiroteios, 24 mortos e 16 feridos. Na zona oeste, foram registrados  61 tiroteios, 20 mortos e cinco feridos. O centro do Rio passou por 26 tiroteios, com um morto e seis feridos e, por fim, a zona sul, com 9 tiroteios, um morto e um ferido.

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A zona norte teve mais tiroteios que a soma dos registros na zona oeste, centro e zona sul em julho. Já o Leste Metropolitano, contabilizou mais feridos que a soma dos notificados na Baixada Fluminense, zona oeste, centro e zona sul. 

Um tiroteio na Linha Amarela na manhã do último dia 29 deixou um suspeito morto e dois feridos. 

Confrontos com a Polícia Militar

Em julho, houve 61 tiroteios/disparos de arma de fogo em áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Ao todo, oito pessoas foram baleadas nestas áreas e uma delas morreu. 

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Dados de 2021

Entre janeiro e julho deste ano, houve 3.167 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio, que deixaram 1.317 pessoas baleadas, sendo 689 mortas e 628 feridas. Em comparação com o mesmo período de 2020, que teve 2.945 tiroteios, com 1.091 baleados (sendo 568 mortos e 523 feridos), houve aumento de 8% nos tiroteios, 21% nos mortos e 20% nos feridos.

*Estagiária do R7, sob supervisão de PH Rosa

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