Rio de Janeiro Paciente morre em UPA do Rio após discussão atrasar atendimento

Paciente morre em UPA do Rio após discussão atrasar atendimento

Técnico de enfermagem relatou que foi atacado por médico após solicitar urgência no socorro à vítima de infarto em Campo Grande 

  • Rio de Janeiro | Victor Tozo*, do R7, com Record TV Rio

Paciente morreu em UPA de Campo Grande

Paciente morreu em UPA de Campo Grande

Divulgação/Secretaria de Estado de Saúde

Um paciente morreu de infarto em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, na tarde desta terça-feira (27), após uma discussão atrasar o atendimento da vítima.

Luciano Peçanha, de 41 anos, foi levado por uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) até a unidade após sofrer sintomas de infarto. O socorrista Fábio Domingos afirmou que, ao chegar à emergência, solicitou que o paciente fosse atendido com urgência.

Segundo o relato, o médico de plantão disse ao técnico do Samu: "Você já me trouxe um morto. O que eu vou fazer com um morto?". De acordo com Fábio, o homem ainda estava vivo.

O médico teria, então, iniciado uma discussão com ele e uma técnica da unidade e agredido verbal e fisicamente os dois. Fábio declarou ter sido empurrado e atacado com socos no peito.

Parte da discussão foi registrada por uma testemunha que estava na UPA. Em áudio, é possível ouvir o técnico dizer ao médico que vai denunciá-lo ao Conselho Regional de Medicina.

Socorrista: "O paciente está infartando. Eu não sou filho do senhor e nem a profissional. Eu vou fazer uma queixa do senhor."

Médico: "Vai fazer queixa onde, meu irmão? Vai fazer queixa onde?"

Socorrista: "No Conselho Regional".

Em outro trecho, Fábio pede ao médico que tire as mãos dele.

Socorrista: "Tira a mão de mim. Tira a mão de mim".

Médico: "Tá pensando que tá falando com quem?".

Ao fim da gravação, a mulher que registrou a discussão diz: "Enquanto o paciente está aqui, a discussão ainda continua por parte do médico."

O técnico de enfermagem abriu um boletim de ocorrência na 35ª DP (Campo Grande) para registrar as agressões.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que a Fundação Saúde, responsável pela gestão da UPA Campo Grande I, informou que o atendimento na unidade não foi interrompido e que será instaurada uma sindicância para apurar o ocorrido.

*Estagiário do R7, sob supervisão de PH Rosa

Últimas