Pandemia faz cariocas viverem quarentena em diferentes países 

Em entrevista ao R7 Rio, turistas, estudantes e moradores de cidades da Europa e da América do Norte contam sobre rotina com novo coronavírus

Italianos formam filas na porta de supermercados da Lombardia

Italianos formam filas na porta de supermercados da Lombardia

Arquivo Pessoal/Sabrina Gregori

Os cariocas estão entrando na terceira semana de isolamento social por conta do novo coronavírus. Com aulas suspensas em escolas e universidades, parte do comércio fechado e transportes públicos funcionando com regimes de restrição, as ruas da Cidade Maravilhosa parecem estar em um constante feriadão.

Estas medidas não são vistas só no Rio de Janeiro e no Brasil, mas em grande parte do mundo. O R7 Rio entrevistou cariocas que estão espalhadas pelo globo e também vivendo o isolamento social. São estudantes, turistas e moradores de cidades na Europa e na América do Norte que contam o seu dia a dia no combate à covid-19.

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Itália, Milão

Mercados disponibilizam higienizantes na porta

Mercados disponibilizam higienizantes na porta

Arquivo Pessoal/Sabrina Gregori

Sabrina Gregori, estudante carioca que está em Milão, na Itália, vive no centro do surto do coronavírus na Europa. A região da Lombardia é a principal afetada pela covid-19 no continente e adotou medidas restritivas rígidas após perceber que sanções parciais de circulação da população não surtiram o efeito desejado.

De acordo com Sabrina, a suspensão de aulas e a ordem facultativa de fechamento de lojas na região norte da Itália não impediram a proliferação do novo coronavírus, que mataram até o momento 12.428 pessoas no país. Atualmente, é necessário preencher um formulário para sair de casa.

“As pessoas só podem circular pelas ruas se tiverem motivo forte, ou seja, compras, obrigação de ir ao trabalho, etc. Você precisa imprimir um documento justificando o motivo pelo qual você está fora de casa.”

A estudante explicou que os mercados continuam abertos, mas funcionam apenas de 8h30 às 19h. Funcionários dos estabelecimentos permanecem na porta do local permitindo a entrada de um cliente por vez. As pessoas na fila para acessar o mercado também devem respeitar o espaço de pelo menos 2 m entre si.

Embora as autoridades italianas tenham tomado as medidas de quarentena tarde, Sabrina também destacou o péssimo exemplo da população local, que tentou fugir da região da Lombardia no anúncio da quarentena.

“Muita gente escapou de Milão quando anunciaram as medidas restritivas de quarentena. Na minha opinião foi horrível, uma vergonha. A ideia era que ninguém saísse de casa e metade da cidade fugiu para casa de parentes.”

Paris, França

Avenidas de Paris vazias durante quarentena

Avenidas de Paris vazias durante quarentena

Arquivo Pessoal/Raquel Tonette

A intercambista de arquitetura e estudante da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Raquel Tonette está na França, país que tem o sexto maior número de casos confirmados do novo coronavírus, com 52.128 registros.

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Há aproximadamente um ano em Paris, ela viveu na cidade uma greve geral no final de 2019 que interrompeu serviços como o de transporte coletivo. Entretanto, com a chegada da covid-19, viu as ruas da capital francesa vazias como nunca.

“Nos três primeiros dias de confinamento total vi muita gente circulando na rua, algumas até fazendo exercício físico. Com o passar do tempo, o número de pessoas e carros foi diminuindo. Como estamos tendo a Itália e a Espanha como exemplo e são países bem próximos, agora as pessoas estão levando a sério.”

Assim como Sabrina, Raquel também destacou a mudança nos mercados parisienses. De acordo com a estudante, os franceses costumam ir às compras até três vezes por semana, mas com o aviso de quarentena, a tentativa de estocar alimentos deixou as prateleiras dos estabelecimentos vazias.

“Acabaram as coisas básicas no mercado, em especial a parte de higiene e alimentos não-perecíveis. Apesar disso, os empresários estão sendo solidários no que podem com a doação de frutas, verduras e legumes na porta de mercearias e restaurantes.”

Inglaterra, Birmingham

Ingleses formam longas filas na porta de mercados

Ingleses formam longas filas na porta de mercados

Arquivo Pessoal/Isadora Gregori

A irmã de Sabrina, Isadora Gregori, publicitária que mora em Birmingham, na Inglaterra, declarou que todos os países do Reino Unido estão tomando decisões similares às medidas da Itália, como o fechamento de escolas e de comércios.

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De acordo com a publicitária, os restaurantes do país estão fechados para o público e funcionam a partir de delivery. Entretanto, os entregadores não podem entrar no espaço físico do estabelecimento e pegam a comida na porta local.

“Os restaurantes aqui estão fechados para o público, eles só ficam funcionando para entrega. Você pede pelo aplicativo e o restaurante deixa a comida com o entregador na porta. As pessoas não podem entrar no restaurante e ficar lá dentro comendo.”

Canadá, Winnipeg

Voos cancelados deixam aeroportos vazios no Canadá

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Arquivo Pessoal/Raissa Testahy

Se as políticas de isolamento pegaram de surpresa muitos cariocas no Rio de Janeiro, não foi diferente pelo mundo. Raissa Testahy, em viagem por Winnipeg, no Canadá, que tem 9 mil casos confirmados, viveu a dúvida se poderia ou não voltar ao Brasil.

“Foi declarado pandemia no meio da viagem e com isso tive que mudar um pouco a programação”, disse Raissa. “Nos aeroportos o clima é mais tenso. Os voos estão sempre atrasando porque as companhias aéreas estão redobrando a limpeza, trocando os filtros de ar etc.”

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Raissa também explicou que precisou ficar confinada na casa de parentes que moram em Winnipeg e, assim como no Rio de Janeiro, apenas mercados, farmácias e alguns restaurantes da cidade estavam funcionando, em maioria com pagamentos apenas por cartão para evitar a circulação de dinheiro físico.

“Assim que chegar no Brasil preciso ficar 15 dias isolada da minha família, segundo ordens do Ministério da Saúde. Todo dia eu acompanho o aplicativo do SUS (Sistema Único de Saúde) para ficar por dentro de possíveis mudanças nas normas para viajantes.”

Raissa conseguiu voltar ao Brasil, mas teve o voo de São Paulo para o Rio de Janeiro cancelado por conta do novo coronavírus. A estudante de jornalismo e a família precisaram alugar um carro para finalmente retornar à Cidade Maravilhosa.

*Estagiário do R7, sob supervisão de PH Rosa