Caso Henry

Rio de Janeiro Polícia abre nova investigação após ex confirmar agressões de Jairinho

Polícia abre nova investigação após ex confirmar agressões de Jairinho

Débora Sarayva relatou em depoimento à polícia violências contra ela e o filho; caso havia sido revelado em entrevista a Cabrini

  • Rio de Janeiro | Victor Tozo, do R7*

No segundo depoimento prestado à 16ª DP (Barra da Tijuca) nas investigações sobre a morte do menino Henry, a estudante Débora Sarayva, ex-namorada de Dr. Jairinho, confirmou que o vereador cometeu agressões contra ela e o filho de apenas dois anos. As informações vão ser apuradas em um novo inquérito na DCAV (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima).

Débora revelou agressões de Jairinho em entrevista

Débora revelou agressões de Jairinho em entrevista

Reprodução

Em entrevista coletiva, o delegado do DGPC (Departamento-Geral de Polícia da Capital), Antenor Lopes, declarou que Débora relatou inúmeros episódios de violência.

O segundo depoimento de Débora confirma as informações reveladas em uma entrevista exclusiva ao jornalista Roberto Cabrini, nesta quinta (15).

De acordo com o depoimento obtido pela Record TV, a ex-namorada de Jairinho, que é investigado pela morte do enteado, contou nesta sexta-feira (16) que omitiu fatos relevantes no primeiro depoimento, em 22 de março, por medo do vereador.

Confirmando o que contou ao jornalista Roberto Cabrini, Débora disse à polícia que Jairinho torturou seu filho em 2015, quando ele tinha dois anos. Segundo narrado por seu filho, em uma noite ele e a irmã acordaram para beber água e Jairinho mandou a menina voltar para o quarto. Na sequência, o vereador colocou um papel e um pano na boca do menino, dizendo que ele não poderia engolir, deitou a criança no sofá e apoiou todo o peso do corpo com o pé. A criança disse que conseguiu se desvencilhar e correu ao quarto chamando a mãe que, mesmo sendo sacudida, não se mexia. Depois disso, Jairinho levou o menino para seu carro, colocou um saco plástico em sua cabeça e ficou dando voltas.

Ainda em 2015, Jairinho saiu sozinho com o filho de Débora para levá-lo a uma casa de festas e, pouco tempo depois, ligou avisando que o menino havia torcido o joelho. Após exames, foi constatado que ele estava com o fêmur quebrado. A mãe diz ter estranhado o fato de o menino não ter chorado diante de uma lesão tão grave.

Débora contou que ela passou a sofrer inúmeras agressões físicas a partir do segundo ano de relacionamento com Jairinho e detalhou o primeiro episódio, ocorrido em 2016. Ao flagrá-la mexendo no celular dele, Jairinho "se transformou", segurando-a com força pelo braço e dizendo que "sumiria" com ela. Em seguida, disse Débora, ele partiu para cima dela, jogou-a no sofá, começou a esganá-la e subitamente parou, dizendo apenas "vamos dormir".

A ex-namorada disse que em 2019 foi agredida com tanta violência que teve um dos dedos do pé fraturado e que, em 2020, 'Jairinho lhe deu um mata-leão, lhe arrastou pela casa e chegou a dar três mordidas em sua cabeça' depois que ela o imperiu de ver o conteúdo de seu aparelho celular.

Caso Henry

Dr. Jairinho e Monique Medeiros estão em prisão temporária desde terça-feira (8) acusados de matar o filho dela, Henry, de 4 anos. A Polícia suspeita que Henry tenha morrido depois de ser submetido por Dr. Jairinho a uma sessão de torturas, com o conhecimento de Monique. À polícia, o casal afirmou suspeitar que o menino tivesse se ferido em uma queda. Os ferimentos, contudo, não são compatíveis com isso.

Henry morreu no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca. Foi levado para lá pelo casal, que alega tê-lo encontrado desmaiado no quarto. O menino estaria com olhos revirados, pés e mãos geladas e dificuldades para respirar.

De acordo com os médicos, o garoto chegou ao estabelecimento em parada cardiorrespiratória. No Instituto Médico Legal, a necropsia constatou múltiplos sinais de trauma, como equimoses, hemorragia interna e ferimentos no fígado, típicos de agressão.

O laudo da reconstituição da morte mostra que o menino sofreu 23 lesões na madrugada da morte e que as lesões foram cometidas entre 23h30 do dia 7 e 3h30 do dia 8 de março, momento em que o casal diz ter encontrado o menino caído no quarto. Jairinho e a mãe de Henry teriam esperado 39 minutos antes de tomar a atitude de levá-lo ao hospital, como mostra uma imagem da câmera de segurança do elevador em que Monique aparece com o filho no colo - já morto - às 4h09 daquela madrugada. Jairinho estava com ela.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

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