Caso Henry

Rio de Janeiro Polícia Civil indicia Jairinho pela 3ª vez por tortura a criança

Polícia Civil indicia Jairinho pela 3ª vez por tortura a criança

Criança que foi vítima tinha três anos na época; mãe também é indiciada por omissão e falsidade ideológica

  • Rio de Janeiro | Rafael Nascimento, do R7 *

Jairinho em entrevista no Domingo Espetacular

Jairinho em entrevista no Domingo Espetacular

Reprodução/ Record TV

A DCAV (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima) indiciou pela terceira vez o vereador Dr. Jairinho por crime de tortura majorada. Dessa vez, as agressões são relativas ao filho da amante do parlamentar, Débora Mello Saraiva. A constatação se deu através de provas técnicas, depoimentos de testemunhas e depoimentos especiais da vítima e de sua irmã, que confirmaram as declarações colhidas em sede policial.

Segundo as investigações, o vereador sufocou o menino com saco na cabeça e deu pisões em seu abdômen. Em um determinado episódio, o menino teve grave fratura de fêmur, ao tentar fugir do carro do vereador após vomitar no veículo, por medo. A criança ficou imobilizada com gesso por cerca de dois meses, incapacitada de se locomover por seis meses. O caso aconteceu em 2016 e o menino tinha 3 anos na época.

Atendimento no hospital

Nos documentos enviados pelo Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, onde a criança foi atendida após a lesão, há relatos de uma psicóloga que afirma que a vítima interagia bem, mas chorava um pouco e dizia que queria ir para casa e que não queria entrar no carro em que se acidentou.

Outros relatos revelam que o menino apresentava dois hematomas na bochecha, sendo um do lado direito e outro do lado esquerdo, bem como assaduras nos glúteos, comprovando não só a fratura, mas também outras agressões sofridas naquele dia.

Falsidade ideológica

No hospital, Jairinho e a mãe da criança alegaram que o fato teria decorrido de "acidente automobilístico", o que fez com que ambos fossem indiciados por falsidade ideológica ao prestarem informação falsa em documento público. O crime tem pena de reclusão de um a cinco anos. Segundo a polícia, Débora, mesmo sabendo dos fatos ocorridos com seu filho, continuou morando em um imóvel no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, que pertencia a Jairinho, local onde ocorreram outras agressões contra a criança posteriormente.

Ela não comunicou os fatos às autoridades, bem como também não o fez à equipe de profissionais de saúde que atendeu a criança no dia da lesão grave. O comportamento é tratado pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) como mera infração administrativa, que será devidamente informada à SMS (Secretária Municipal de Saúde). Débora continuou como amante do vereador até o final de 2020 e, ainda teve alguns encontros esporádicos em 2021.

Outros casos

O vereador Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho, e a professora Monique Medeiros, foram denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura contra o menino Henry Borel, de 4 anos. Henry foi morto em 8 de março no apartamento do casal, na Barra da Tijuca. Segundo a polícia, os crimes a que ambos foram enquadrados preveem penas que podem chegar a 30 anos de prisão.

Dr. Jairinho também já foi denunciado pelo MP-RJ pela tortura à filha de uma ex-namorada. De acordo com a denúncia, durante o tempo em que se relacionou com a mãe da vítima, o vereador se aproveitou para, nas oportunidades em que se encontrava sozinho com a criança, torturá-la física e mentalmente.

*Estagiário do R7 sob supervisão de PH Rosa

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