Policial militar é indiciado por morte de mototaxista no Rio

Matheus Henrique foi morto com tiro na cabeça em um dos acessos ao Borel. PM vai responder em liberdade, mas não deve atuar nas ruas 

Familiares acusavam PMs desde o início da investigação

Familiares acusavam PMs desde o início da investigação

Record TV

Um policial militar foi indiciado nesta terça-feira (7) pela morte de um mototaxista próximo à comunidade do Borel, na Tijuca, zona norte do Rio.

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Matheus Henrique, de 22 anos, foi atingido por um tiro na cabeça no dia 30 de maio, quando estava de moto com um amigo e passou por uma viatura da PM. 

O delegado responsável pelo caso, Bruno Araújo, disse ter concluído o inquérito após ouvir testemunhas e  militares envolvidos na ação, além de exames técnicos.

"O agente admitiu o disparo, relatou como ocorreu a dinâmica do fato que foi comprovado pelas testemunhas. Apesar de ter sido indiciado como homicídio doloso (quando há intenção de matar), ele não tem antecedentes criminais, em nenhum momento demonstrou que vai empreender fuga, não foi constatado que intimidou ou procurou alguma testemunha e colaborou voluntariamente com as investigações", disse.

Ainda segundo o delegado, o PM vai responder em liberdade. A Polícia Civil pediu para que ele não seja escalado para serviços externos e que não tenha contato com testemunhas.

Mudança de versão 

Após Matheus ser baleado, os militares envolvidos na ação disseram na delegacia da região que o caso se tratava de um acidente de trânsito. No entanto, amigos e familiares sempre afirmaram que o rapaz havia sido atingido por um disparo de um PM, inclusive mostraram um furo no capacete que ele usava. A equipe médica que atendeu a vítima no Hospital Souza Aguiar, no centro, encontrou um projétil no corpo. 

Em novo depoimento, os policiais mudaram a versão. O agente relatou que temia pela integridade física dele e da equipe e alegou ter acreditado que o disparo por ter sido feito a distância, não teria acertado a vítima, segundo o delegado Bruno Araújo.

Família

Após ser informado sobre o indiciamento do policial militar, o pai de Matheus, Luis Henrique, disse que a "justiça está sendo feita e que não havia outro caminho para ser tomado" em relação à investigação. 

Já a esposa do mototaxista foi encaminhada para acompanhamento psicológico  e orientada sobre a garantia do direito à pensão para o filho do casal, um bebê recém-nascido, pela comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro)

*Sob supervisão de Bruna Oliveira