Rio de Janeiro Rio: fluxo de turistas pode ter influenciado surto de gripe

Rio: fluxo de turistas pode ter influenciado surto de gripe

Segundo Alberto Chebabo, vírus que causou aumento de casos chegou ao Rio por visitantes que vieram do hemisfério norte

  • Rio de Janeiro | PH Rosa e Rafaela Oliveira*, do R7

Surto de gripe aumenta demanda em UPAs do Rio

Surto de gripe aumenta demanda em UPAs do Rio

Paulo Carneiro/Photopress/Estadão Conteúdo- 3/12/2021

Enquanto os casos de Covid-19 vão diminuindo na cidade do Rio de Janeiro, as infecções pela Influenza A segue o caminho inverso. Segundo a SMS (Secretaria Municipal de Saúde), já são mais de 21 mil pessoas diagnosticadas com gripe.

Segundo o secretário Estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, é a primeira vez em décadas que o Rio tem um surto da gripe fora dos meses de inverno. 

As causas para este surto fora de época que afeta a cidade desde o final de novembro pode ser a chegada de turistas do hemisfério norte que estavam gripados somada a baixa cobertura vacinal, de acordo com o médico infectologista Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

“Esse vírus não circula no Brasil há dois anos, desde 2019, então ele pode ter chegado por meio de turistas ou pessoas que vieram do hemisfério norte, onde ele está circulando atualmente. A gente sabe que a imunidade também cai muito depois de seis meses de vacinação e a cobertura vacinal foi muito baixa este ano, então há um número muito grande de pessoas suscetíveis.”

Epicentro da Influenza A, o Rio de Janeiro continua com a vacinação suspensa nesta terça-feira (7), por falta de doses. Além disso, com o surto, as unidades de pronto-atendimento estão sobrecarregadas. 

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, houve um aumento de 429% nos casos de síndrome gripal na última semana, sendo maior o número de atendimentos em adultos. 

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O pesquisador do Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz, Marcelo Gomes, explicou que há uma demora normal para atualizar os resultados laboratoriais, mas que há monitoramento dos casos.

"Estamos monitorando a situação nos casos graves, mas até a atualização realizada semana passada ainda não havia registro significativo de presença de casos de Influenza entre as internações", afirmou o coordenador da pesquisa. 

Ainda segundo Marcelo Gomes, os dados mais recentes (inseridos até este final de semana), estão sendo processados para análise e atualização do boletim semanal do InfoGripe.

A última edição do boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgado no dia 2 de dezembro, avalia que os casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) podem crescer a longo prazo em praticamente metade das unidades da Federação. No Rio de Janeiro, os pesquisadores apontaram que o quadro pode estar sendo agravado pela epidemia de gripe.

Aumento de casos

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A SES (Secretaria de Estado de Saúde) informou ao R7 que, na última semana de novembro, houve um aumento no número de atendimentos por síndrome gripal nas UPAs estaduais. No período de 16 a 21 de novembro, a média de atendimentos diários foi de 189, que passou para 1.000 atendimentos por dia na semana seguinte (de 22 a 28 de novembro).

Nesta semana, os atendimentos seguem aumentando e já há unidades atendendo quase 800 pacientes/dia. Diante desse cenário, a SES fez um plano de contingência, com reforço das equipes nas UPAs: mais dois médicos clínicos e instalação de tendas para atendimento exclusivo de casos de síndrome gripal.

Testagem

A Vigilância estadual reforçou que não há indicação de testagem em massa de pacientes com sintomas gripais. Um levantamento feito pela equipe técnica do estado mostra que a positividade dos exames de PCR no município do Rio está abaixo de 1%, além da população ter boa cobertura vacinal contra a Covid-19. Portanto, a testagem depende de indicação médica.

Para Chebabo, é importante realizar um teste de Covid-19 para saber se a pessoa tem uma doença ou outra, já que os sintomas são praticamente iguais.

"É difícil diferenciar clinicamente [as duas doenças], tem que fazer o exame para pelo menos descartar a Covid-19. Atualmente, cerca de 90% dos exames positivos são para Influenza. A gente tem a circulação de outros vírus, incluindo o coronavírus, com uma frequência bem mais baixa, mas hoje a maior parte é a Influenza, por isso é importante realizar o teste", ressaltou.

Além disso, o infectologista disse que pacientes diagnosticados com a gripe precisam se manter isolados, para evitar transmitir a doença para outras pessoas.

"Nos casos de Influenza, o paciente pode demorar de cinco a sete dias para melhora dos sintomas, principalmente febre. Depois que melhora, tem menos chance de estar transmitindo. Ela é transmitida da mesma forma que a Covid, então ela passa pelo ar e a pessoa doente deve evitar ir ao trabalho, a faculdade."

Para o R7, a SES destacou que a gripe não é uma doença de notificação compulsória como a Covid.

Como levantado no painel da Prefeitura do Rio, o último óbito em decorrência do novo coronavírus foi registrado há uma semana, no dia 30 de novembro. O gráfico mostra as mortes até o dia 5 de dezembro.

O que fazer se sentir sintomas

Os principais sintomas da gripe são: febre, dor de garganta, tosse, dor no corpo e dor de cabeça. Além desses, os infectados com o vírus da Influenza A podem sentir calafrios, mal-estar, dor nas juntas, fadiga, diarreia, entre outros. 

As pastas estadual e municipal orientam que aqueles que apresentam sintomas gripais leves devem procurar unidades de atenção primária - Clínicas da Família e Centro Municipais de Saúde - para obter o primeiro atendimento. Já os casos graves devem buscar atendimento diretamente nas UPAs.

Em nota, a secretaria estadual alegou que, apesar das unidades de pronto-atendimento e emergências hospitalares serem destinadas para atendimentos de média e alta complexidade, a maior parte dos pacientes têm sintomas leves, sem necessidade de internação.

Como as UPAs não dispensam medicamentos, os pacientes são encaminhados às unidades da Atenção Básica para retirar a medicação prescrita pelo médico.

Vacinação contra gripe no Rio

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A Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que a vacinação contra a gripe será retomada assim que chegarem mais doses. Em nota para a Record TV Rio, o Ministério da Saúde informou que vai enviar mais de 160 mil doses da vacina contra a Influenza para o Rio de janeiro nos próximos dias. A última remessa chegou ao estado no dia 30 de novembro, com mais de 200 mil doses. 

Atualmente, a cobertura vacinal do público-alvo da campanha de imunização contra a gripe (idosos, gestantes e puérperas, crianças de seis meses a 5 anos, trabalhadores da saúde) está em 60,6%. O total de imunizados desde o início da campanha é de mais de 2,4 milhões de pessoas, como divulgado pela Prefeitura do Rio.

*Estagiária do R7, sob supervisão e com colaboração de PH Rosa 

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