Novo Coronavírus

Rio de Janeiro Sedativos para intubar pacientes com covid-19 estão em falta no RJ

Sedativos para intubar pacientes com covid-19 estão em falta no RJ

Profissionais de saúde pedem que familiares comprem os medicamentos. Médica descreve situação como 'filme de terror'

  • Rio de Janeiro | Laura Rocha, do R7* com Record TV Rio

Resumindo a Notícia

  • Profissionais de saúde pedem medicamentos às famílias para intubar os pacientes
  • Médica define falta de "kits intubação" como "uma tragédia anunciada"
  • Familiares de Sônia, de 64 anos, receberam o pedido de hospital estadual
  • Secretaria Estadual de Saúde se prontifica para solucionar escassez de remédios

Profissionais do serviço público de saúde do Rio de Janeiro pedem para familiares de pacientes intubados com covid-19 comprarem os sedativos necessários. Sem tais medicamentos, a pessoa pode acordar durante o tratamento invasivo. A respiração mecânica é indicada para casos graves do coronavírus.

Pacientes 
em estado grave precisam de "kit intubação"

Pacientes em estado grave precisam de "kit intubação"

Daniel Marenco/EFE - 24.03.2021

A médica Patrícia Rezende explicou que o pedido às famílias indica o desespero das equipes de linha de frente no combate à covid-19. Para a profissional, esse é o sentimento ao saber que poderia ajudar um paciente, mas não conseguir pela falta de medicamentos do “kit intubação”.

“Isso é uma tragédia anunciada”, definiu a médica. “O “kit intubação” são basicamente três medicações que nós usamos. O primeiro, para diminuir a dor, porque a intubação é um processo doloroso. O segundo é um sedativo que é usado para o paciente dormir durante o procedimento. O terceiro é um bloqueador muscular para que ele relaxe a musculatura e não lute contra o tubo. Se a gente não tem essas medicações, vai ser um filme de terror para o paciente”.

O cenário descrito foi vivenciado pela família de Sônia Bias da Silva, de 64 anos, intubada desde o último dia 2, no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Nesta semana, familiares receberam uma ligação sobre ela estar apenas com uma sedação leve por falta de remédios e que seria necessário comprá-los. A senhora contraiu a covid-19 no próprio hospital, após ser internada para uma cirurgia no ombro.

“Tem pessoas sofrendo, famílias sofrendo. Pais, mães, filhos. Então, que possam ter misericórdia. Entendemos a pandemia, mas entendemos há vidas precisando de uma medicação, lutando contra o vírus. Mas agora não é nem o vírus é a medicação para o tratamento das pessoas”, desabafou a irmã de Sônia, Janete Fraga.

De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios, a falta de medicamentos do “kit intubação” poderá ser uma realidade em mais de 1100 municípios brasileiros.

“Essa diminuição da oferta e a dificuldade de abertura de novos leitos se deve pela dificuldade e escassez de medicamentos e equipamentos para o tratamento de covid-19”, argumentou o diretor da AHERJ (Associação de Hospitais do Rio de Janeiro), Graccho Alvim. “A falta desses medicamentos é muito preocupante. Estamos chegando a uma situação de crise".

Por isso, a Secretaria Estadual da Saúde declarou que busca alternativas para aumentar a oferta de “kit intubação” no Rio de Janeiro. O Estado teria aderido a uma iniciativa do Ministério de Saúde para comprar mais medicamentos para suprir a escassez na rede pública nos próximos três meses. Nesta quinta-feira (15), 55 hospitais receberiam novos kits.

O Estado do Rio de Janeiro contabiliza mais de 40 mil mortes pelo coronavírus. Segundo o "Portal Coronavírus Covid-19", a taxa de ocupação dos hospitais chega a 87,4%, e há 354 pessoas na fila de espera por um leito. 

*Estagiária do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

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