Morte de Marielle Franco
Rio de Janeiro Um mês após mortes, passeata refaz trajeto de Marielle e Anderson

Um mês após mortes, passeata refaz trajeto de Marielle e Anderson

Caminhada contou com a irmã da vereadora e parlamentares, que cobraram uma resposta das autoridades sobre a investigação do crime

Concentração de ato em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes, no Rio

Concentração de ato em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes, no Rio

ELLAN LUSTOSA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Um mês após os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, manifestantes se reuniram no centro do Rio, neste sábado (14), para refazer o trajeto de 4,5 km realizado pela vereadora e o motorista na noite em que o carro onde estavam foi atingido por 13 tiros.

A caminhada contou com a presença da irmã de Marielle, Anielle Franco, e parlamentares. Muito emocionados, eles cobraram uma resposta das autoridades sobre a investigação do crime. Até o momento, a polícia não apontou os responsáveis pelas mortes.

A concentração do ato "Marcha e Tambores por Marielle e Anderson — 1 mês de luta" teve início às 17h, nos Arcos da Lapa, na região central do Rio. Diversos movimentos culturais manifestaram indignação com o caso por meio de atividades artísticas, musicais e religiosas.

Um painel idealizado pelo integrante do coletivo Juntos pela Escola Kawan Lopes, 18 anos, chamou a atenção.

— É uma ilustração para mostrar a cultura e o movimento negro. Eu tinha uma relação pessoal com Marielle. Minha irmã participa da comissão de negritude da OAB na zona oeste. Sempre que estávamos com Marielle agradecíamos pelas pautas que ela discutia e as lutas que defendia. Tive a oportunidade de entregar um desenho a ela e estou me manifestando com o dom que tenho.

Projeção durante o ato em memória de Marielle

Projeção durante o ato em memória de Marielle

Bruna Oliveira/R7

Às 19h, a caminhada começou com gritos de “Marielle Presente” e “Quem mexeu com Marielle atiçou o formigueiro”. O percurso passou pelas avenidas Mem de Sá e Salvador de Sá. 

A chegada à rua João Paulo I, onde Marielle e Anderson foram mortos, ocorreu por volta de 21h. A placa da rua foi substituída por outra com o nome da vereadora.

O local do crime recebeu flores, cartazes e velas. Em um muro, foram projetadas a frase “Marielle vive” e também uma imagem da parlamentar. Durante as homenagens, os manifestantes silenciaram por alguns minutos. 

Investigações

Amigo de Marielle, o vereador Tarcísio Mota (PSOL), que prestou depoimento na Divisão de Homicídios na última semana, comentou o vazamento de informações sobre o suposto envolvimento de milícias no crime.

Rua onde Marielle foi morta teve placa trocada durante manifestação

Rua onde Marielle foi morta teve placa trocada durante manifestação

Bruna Oliveira/R7

— Me parece que a polícia tem trabalhado com a perspectiva de uma atuação da milícia e, ao mesmo tempo, de uma parte ruim da polícia presente no 41º Batalhão. Não queremos levantar falsas acusações nesse momento. Então, esperamos que, se essa é a linha, a polícia consiga apurar e aprofundar a investigação, porque, se isso for verdade, temos que tomar uma ação enérgica contra esse tipo de poder paralelo e contra a atuação policial fora dos padrões do que se espera em qualquer lugar do mundo. Não dá para fazer especulações, apesar de dizermos que, se a milícias mataram ou não Marielle, elas precisam ser combatidas.

Integrante da comissão que acompanha as investigações do crime, o deputado federal Chico Alencar (PSOL) afirmou que tem a expectativa que o caso seja solucionado nos próximos 60 dias. 

— Nós temos um prazo. Estamos acreditando nas autoridades, no chefe da Polícia Civil, até do general Richard [Nunes, Secretário de Segurança do Rio], da intervenção. Eles estão sentindo a pressão e a necessidade de apurar, de não cair na vala comum do Brasil que só desvenda 10% dos homicídios, o que é uma estatística macabra. Vamos continuar a luta que, mesmo em pouco tempo de vida, Marielle semeou.

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