A lei é uma "fábrica de delinquentes", diz pai de jovem morto durante assalto em São Paulo

Em ato que pede segurança, José Valdir Deppman criticou Estatuto da Criança e do Adolescente

José Valdir Deppman: "Nós já estamos presos em casa, presos sem grades"

José Valdir Deppman: "Nós já estamos presos em casa, presos sem grades"

Eduardo Enomoto/R7

Profundamente emocionado, José Valdir Deppman, pai do universitário Victor Hugo Deppman, assassinado com um tiro na cabeça durante uma tentativa de assalto, em frente ao condomínio onde morava na noite da última terça-feira (9), no bairro do Belém, na zona leste de São Paulo, participou de um ato pelas ruas da região na manhã deste sábado (13). Em tom de desabafo, criticou o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) que prevê punições socioeducativas a menores de 16 anos que pratiquem crimes.

— O ECA é uma fábrica de delinquentes. A lei tem de ser mudada. Nós já estamos presos em casa, presos sem grades. É impossível ficar do jeito que está.

O menor, que se apresentou à polícia na última quarta-feira (10), um dia após o crime, levado pela mãe, que o reconheceu nas imagens captadas pela câmera de segurança do condomínio, completou 18 anos na última sexta-feira (12). Por ser menor de idade na noite em que praticou o assalto, foi encaminhado a uma unidade da Fundação Casa onde, inicialmente, cumprirá medidas socioeducativas.

— Vai dar certo, meu filho não morreu em vão, não vai entrar para a estatística. A presidente [Dilma Rousseff] vai ver isso e vai se comover, vai ajudar. Não é possível que ela não se comova.

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Acompanhada pelo marido e por parentes, amigos e vizinhos, Marisa Deppman, mãe de Victor, desabafou:

— Esse cara que matou meu filho é um animal, ele não é racional. Ele é um assassino, um animal, um bandido.

José Valdir chorou o tempo todo em que participou do ato. A manifestação, que teve início por volta das 11h, saiu do pátio da Igreja São José do Belém e se dirigiu ao condomínio onde Victor morava com a família.

Marisa defende que, se um adolescente de 16 anos tem capacidade de votar, também pode ser julgado pelos atos que cometeu.

— Por que menor, de 16 anos, pode votar? Se ele tem discernimento para dar voto, também não tem discernimento pelos atos que pratica? 90% da população é a favor da redução da maioridade penal. Não adianta político dizer que não tem como. Os filhos deles andam de carro blindado. Eles [os políticos] andam de helicóptero. Eles não estão na rua para viver essa bandidagem que nós vivemos.

Sorriso inesquecível

Amiga da família de Victor, Neusa Pinheiro contou que veio de Arujá, na Grande São Paulo, onde mora, acompanhada dos três filhos, que eram amigos do universitário, para participar do ato. Ela é vizinha da avó do jovem.

Ela avalia como revoltante a forma como Victor foi morto. E guarda boas lembranças do rapaz.

— Ele era maravilhoso, o sorriso dele é inesquecível.

Quase no encerramento do ato, Marta Consoli, mãe da estudante Bianca Consoli, encontrada morta em casa no dia 13 de setembro de 2011, deu um abraço em Marisa Deppman.

O grupo encerrou a manifestação por volta das 12h em frente ao condomínio onde Victor morava e foi morto durante a tentativa de assalto. O padre da Igreja de São José do Belém disse algumas palavras de apoio e fez uma oração. Ao final, os participantes deram uma salva de palmas a Victor e gritaram por justiça.