Novo Coronavírus

São Paulo Ação da iFood amplia precarização, diz presidente do Sindimoto

Ação da iFood amplia precarização, diz presidente do Sindimoto

Para Gilberto Almeida, projeto de locação das bicicletas indica como empresas de app estão na contramão da luta por direitos dos entregadores

  • São Paulo | Do R7

'Vemos o número de acidentados só aumentando', diz presidente do Sindimoto

'Vemos o número de acidentados só aumentando', diz presidente do Sindimoto

Fabrício Costa/Futura Press/Folhapress - 27.08.2020

A ação recente da iFood, que inaugurou uma bicicletaria na zona oeste de São Paulo, onde oferece locação de bicicletas elétricas para entregadores de aplicativo por R$ 9,90 semanais, não agradou ao sindicato dos motoboys.

“O projeto expande ainda mais a precarização dos direitos do trabalhador. Como se não bastasse o que eles já sofrem, [as empresas] querem ganhar em cima do aluguel da bicicleta. Daqui a alguns dias, vão dizer que não pode mais andar com bicicleta própria, e só com a alugada”, disse Gilberto Almeida, presidente do SindimotoSP (Sindicato dos Mensageiros Motociclistas do Estado de São Paulo), que defende a categoria dos entregadores. 

Para Almeida, o projeto, que pretende colocar ao menos 500 bicicletas em circulação até o fim de 2020, indica como estas empresas estão na contramão da luta por direitos da categoria.

“Vemos o número de acidentados só aumentando, e os aplicativos investindo em propagandas caríssimas em horário nobre na televisão aberta. Os ‘motocas’ cada vez mais escravizados em relação a seus direitos, e eles (empresas de aplicativo) cada vez mais ricos, arrumando parafernalhas para arrancar dinheiro dos trabalhadores”, concluiu.

Chamado de iFood Pedal, o espaço criado pela iFood fica na zona oeste da capital paulista, e oferece aos entregadores que pagam pelo valor semanal um kit com capacete, mochila de entregas, máscara, álcool em gel, local para recarga de celulares e copa para refeições.

Veja também: O que mudou para os entregadores desde o primeiro #BrequeDosApps?

Outro lado

Em nota, o iFood respondeu que lamenta a opinião do presidente da Sindimoto e que ele talvez não tenha entendido o funcionamento do projeto. "O iFood acredita que o projeto de bikes elétricas é um passo importante para a qualidade de vida dos entregadores e para a micromobilidade da cidade".

O projeto, segundo a empresa, foi criado de acordo com pesquisas com mais de 600 entregadores e permite jornadas mais flexíveis (por não exigir devolução da bicicleta 1 hora após o aluguel), disponibilidade de mais horas de uso, opções de plano acessível (em média 65 % menores do que outros serviços de aluguel) e ainda um ponto de apoio em local estratégico da cidade que permite usar transporte público para o trajeto entre suas casas e a região.

A empresa diz que o uso de bike elétrica reduz o esforço físico e é uma opção prática e bastante inclusiva.

A empresa diz que, desde 2019, ofere seguro de acidente pessoal gratuito a todos os entregadores ativos na plataforma, incluindo o trajeto de volta para casa. O aplicativo diz ainda que mantém um processo de escuta ativa para melhoria contínua e "seguirá atento às impressões dos participantes do projeto piloto para realizar os ajustes necessários". 

Precarização durante a pandemia

Durante a pandemia do novo coronavírus, os entregadores relataram trabalhar mais para ganhar menos, chegando a cargas diárias de 12 horas por dia e atuação em 26 dias mensais.

Outra queixa relacionada à precarização da categoria e comum nos primeiros meses após o surto da covid-19 no Brasil foi a falta de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) contra o coronavírus e de uma licença remunerada aos que contraíssem a doença. 

As condições de precarização relatadas por entregadores de diversos aplicativos motivaram o #BrequeDosApps, paralisação que, em dois atos no mês de julho, mobilizou milhares de profissionais da categoria em todo o país, além de outros movimentos que ocorreram paralelamente. 

Em julho, segundo estimativa recente do SindimotoSP, eram cerca de 500 mil profissionais da categoria somente no Estado de São Paulo. O número era quase o dobro em relação ao mês de março, quando o total estimado era de 280 mil. O órgão considera que o aumento se deu pela perda de empregos em outros setores provocada pela pandemia.

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