São Paulo Advogado questiona versão sobre morte da mãe de Ísis Helena

Advogado questiona versão sobre morte da mãe de Ísis Helena

Defensor de Jennifer, Willian Oliveira afirma ser prematura a hipótese de suicídio consumado, registrada na polícia

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Jennifer foi encontrada morta na prisão

Jennifer foi encontrada morta na prisão

Reprodução/ Record TV

O advogado Willian Oliveira questiona a versão oficial sobre a morte de Jennifer, presa sob a acusação de assassinar a própria filha, Ísis Helena, de 1 ano e 10 meses. O caso foi registrado como suicídio consumado. Jennifer foi encontrada morta na cela por agentes da P1 de Tremembé na terça-feira (23). As informações são da Record TV.

Na avaliação do advogado, a comunicação sobre a morte feita pela SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) seria contraditória.

A nota da secretaria informa que a detenta foi encontrada desacordada na cela que habitava sozinha, que o caso foi registrado na Delegacia Seccional de Taubaté como suicídio consumado e que a SAP abriu procedimento para apurar o caso. A nota também afirma que “a presa chegou a receber procedimentos de ressuscitação pela enfermeira da unidade, foi conduzida ao Pronto Socorro Municipal da cidade, porém não resistiu e faleceu no local.”

Ísis Helena

Ísis Helena

Reprodução/Record TV

O advogado rebate a nota. Diz que não houve o exame da perícia no local e que há dúvidas se Jennifer realmente morreu no hospital ou dentro da cela. Nas cartas enviadas à mãe, obtidas com exclusividade pelo Cidade Alerta, da Record TV, a acusada não demonstra intenção de tirar a própria vida.

“Eu acho prematuro falar em suicídio diante das evidências que a gente tem, sobretudo dos procedimentos disciplinares que foram instaurados contra ela e dos e-mails enviados à mãe dela”, diz Oliveira.

“Num primeiro momento eles dizem que ela foi encontrada morta. Se ela foi encontrada morta, o local deveria ter sido preservado. O delegado de polícia deveria ter sido acionado, pra comunicar a perícia, pra realizar o exame no local e depois conduzir o corpo pro IML pra fazer o exame necroscópico. Na sequência, eles dizem que ela foi submetida a procedimentos de reanimação. Se ela já estava morta, não há que se falar em procedimentos de reanimação e pra piorar o quadro, no final da nota, eles dizem que ela foi socorrida e foi levada a uma unidade de saúde. Então me parece que isso é feito pra justificar o fato de ão ter sido preservado o local”, afirma o advogado.

Para Oliveira, a situação reforça a hipótese de que Jeniffer pode ter sido assassinada. Segundo ele, a presa dava indícios de que estaria sendo condenada antes mesmo do julgamento.

Cartas

Cartas enviadas por Jennifer à mãe relatam maus tratos sofridos nos dois presídios por onde passou, nas cidades de Mogi Guaçu e Tremembé, no interior de São Paulo, e aumentam as suspeitas do advogado. Os textos falam de momentos em que ela afirma ter apanhado tanto que achava que tinha perdido a vista do olho esquerdo ou de momentos em que agentes entravam na cela para agredí-la.  A mãe de Jennifer reconhece que a letra e a autoria da filha.

Jennifer geralmente começava as cartas com a data. No dia 29 de junho do ano passado, ela diz que só recebeu a carta da mãe duas semanas depois de enviada, e cita a importância da comunicação com a família acontecer por e-mail. Em 12 de janeiro deste ano, Jennifer cita a filha Ísis Helena, e diz que a prisão a fez mudar e dar valor a tudo o que tinha antes. 

No início de fevereiro a presa diz: “O que não me mata me fortalece”. O texto é escrito a mão, para que só depois a resposta seja digitada e encaminhada para o e-mail da mãe. Funcionários teriam acesso ao teor da conversa. Em um trecho, Jennifer pede para a mãe avisar ao advogado que ela irá denunciar os maus tratos que vinha sofrendo e que teria uma colega também presa que poderia ser a testemunha. Diz ainda: “eu não vou pagar pelo o que eu não fiz”.

Em um outro trecho das cartas, ela escreve: “aquele demônio que me bateu, que me torturou, vai ser minha testemunha de acusação”.

Jennifer tinha medo de ser assassinada nas mãos do crime organizado que domina as principais cadeias do país. Quem fez essa revelação foi Oliveira. Ela tinha planos de contar tudo no dia do julgamento - desde as ameaças que sofria dentro da prisão, até o primeiro dia da tragédia: a noite em que acordou e, segundo ela, Ísis Helena já estava sem vida ao seu lado.

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