Desaparecidos em SP
São Paulo Aos 76 anos, idosa desaparece em SP: 'Disse que ia encontrar a mãe'

Aos 76 anos, idosa desaparece em SP: 'Disse que ia encontrar a mãe'

Alzira Rodrigues  já tinha se perdido no caminho de casa diversas vezes, e a dois dias de sumir, avisou à neta que iria encontrar a mãe, já falecida 

Senhora está desaparecida desde o dia 2 de julho deste ano

Senhora está desaparecida desde o dia 2 de julho deste ano

Arquivo Pessoal

A aposentada Alzira Rodrigues Pereira, de 76 anos, desapareceu no dia 2 de julho deste ano, em Osasco. Ela iria encontrar a neta, com quem morava, mas nunca mais foi vista depois de sair da casa da sua irmã naquela tarde de julho. 

A visita à irmã mais velha era um dos passa-tempos de Alzira. O preferido era o ritual, quase diário, de ir ao médico ao menor sinal de problema. "Desde que me entendo por gente, ela era viciada em médico", disse Érika Silva Xavier, uma das duas netas de Alzira que procura a avó há quase dois meses.

O caso de Alzira é um dos milhares de desaparecimentos que ocorrem diariamente na cidade de São Paulo, e marca mais uma reportagem do R7 com o propósito de auxiliar os familiares das vítimas.

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Elisângela Dias da Silva, cabeleireira, já havia acolhido a avó em sua casa há quatro anos. Alzira estava se esquecendo de coisas básicas do dia-a-dia e corria riscos morando sozinha, já que estava esquecendo até de desligar o gás. "Ela me chamava de 'a outra' quando esquecia meu nome", relata Elisângela.  

"Esquecia o caminho de casa"

Alzira daria um prenúncio do que poderia ocorrer cerca de um mês antes de seu sumiço, que completa dois meses nesta segunda-feira (2). Desde o começo de junho a senhora de 76 anos se perdeu mais de uma vez em suas caminhadas por Osasco. 

"Ela nunca admitia que se perdeu, sempre falava que estava na casa de uma amiga", conta Érika. Em um destes casos, a senhora chegou a se deslocar de Osasco até o campus da USP (Universidade de São Paulo), que fica no Butantã. 

Elisângela afirmou que a avó costumava sair de casa logo depois que ela saía para trabalhar, pelo período da tarde. Desde o início deste ano, os esquecimentos foram piorando, a ponto de a neta colocar bilhetes na bolsa de Alzira para que outras pessoas a contatassem.  

"Perdeu dois exames e uma consulta"

Com a piora do quadro de Alzira, a família procurou médicos para avaliar se a idosa sofria de alguma doença que impedisse o pleno funcionamento do cerébro. Ela foi pré diagnosticada com demência, no início deste ano. Alzira nunca chegou a fazer os exames que atestariam a condição.

Além da dificuldade em conseguir uma consulta no sistema público de saúde, por causa da fila de espera, os atrasos e sumiços de Alzira sempre impediam da família ter a confirmação da doença da avó.  

Três dias antes de desaparecer, no fim de semana que passava na casa de sua neta Érika, Alzira afirmou: "Vou encontrar minha mãe". Ela passou o domigo muito agitada, e passou mais um último dia com Elisângela antes de desaparecer na terça-feira (2) de julho. 

Quem tiver qualquer informação sobre o paradeiro de Alzira Rodrigues Pereira deve entrar em contato com Elisângela pelo telefone (11) 97549 9770.

Caso note estranheza na situação de um familiar, saiba que não é preciso esperar 24 horas para realizar o boletim de desaparecimento - você pode ir imediatamente em qualquer delegacia.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ana Vinhas