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São Paulo Aos 80 anos, Pacaembu cumpre 'missão humanitária', diz secretário

Aos 80 anos, Pacaembu cumpre 'missão humanitária', diz secretário

Inaugurado em 1940, estádio municipal ajuda na luta contra a covid-19 ao abrigar hospital de campanha para o tratamento de vítimas da doença

Tradicional estádio paulistano abriga hospital para tratar doentes da covid-19

Tradicional estádio paulistano abriga hospital para tratar doentes da covid-19

MARCELLO ZAMBRANA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

No ano em que completa 80 anos, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o chamado Pacaembu, em referência ao bairro onde foi erguido, na zona oeste de São Paulo, foi convocado para uma missão em prol da saúde pública. Um chamado que transcende seu propósito original.

Desde o último dia 6 de abril, o gramado por onde já desfilaram inúmeros craques do futebol paulista foi coberto pelos tablados que servem de base para um hospital de campanha. Administrada pela prefeitura paulistana, a estrutura recebe pacientes infectados pelo novo coronavírus em uma tentativa de desafogar o sistema de saúde da cidade durante a pandemia.

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Com a instalação dos equipamentos necessários para o funcionamento da nova estrutura, as traves deram lugar aos suportes das tendas de atendimento. Em tempos de isolamento social, os campeonato estão suspensos. As arquibancadas estão vazias.

O secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, enfatizou a relevância da estrutura montada no Pacambu, construída em sete dias, dotada de 200 leitos de baixa complexidade, 16 pontos de UTI e por onde já passaram ao menos 292 pessoas - e foi registada uma morte. Um hospital que alivia a internação em postos médicos regulares durante o surto da covid-19.

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No espaço onde gênios da bola, como Pelé, Ademir da Guia, Raí e o doutor Sócrates, costumavam exibir o seu talento, o movimento agora é de 520 profissionais de saúde de 13 categorias diferentes - médicos, enfermeiros, assistentes sociais e outras - na luta contra o vírus que provocou 1.512 mortes no Estado de São Paulo até a sexta-feira (24).

De acordo com o balanço diário, divulgado também na última sexta-feira pela gestão municipal, o HMCamp (Hospital Municipal de Campanha) do Pacaembu, tinha 109 leitos ocupados. Deste total, 101 pacientes estavam em leitos de baixa complexidade e outros oito acomodados na sala de estabilização. Foram efetuadas 11 altas - outros doentes aguardam a transferência para o HCamp do Anhembi, estrutura construída na zona norte da cidade com o mesmo objetivo.

Ambos os hospitais de campanha trabalham de portas fechadas. Portanto, pessoas com sintomas de covid-19 não devem procurar atendimento no local. Os pacientes chegarão, exclusivamente, transferidos por ambulâncias de outras unidades e as internações são controladas pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

Amigo da cidade

O secretário geral da CBF, Walter Feldman, que esteve à frente da pasta de esportes da capital paulista, em 2007, classificou o Pacaembu como um "ícone arquitetônico da história de São Paulo" e descreveu o complexo esportivo como uma arena multicêntrica, típica das grandes cidades do mundo, pronta para receber não apenas eventos futebolísticos, mas espetáculos e atvidades público-sociais na cidade. "É um estádio que serve para tudo. Um amigo da cidade", exaltou.

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