'Aos poucos, o movimento está voltando', diz segurança da CPTM

Hélcio Marcelo dos Santos, coordenador operacional da empresa terceirizada Albatroz, admite ter medo de ser infectado pelo novo coronavírus

Movimento nos trens da CPTM caiu entre 60% e 70% em março

Movimento nos trens da CPTM caiu entre 60% e 70% em março

Albatroz / Divulgação

O chefe da segurança das linhas 8 e 9 da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Helcio Marcelo dos Santos, percebe que, aos poucos, a população está saindo de casa e voltando ao ritmo anterior à pandemia. "No início de março, caiu de 60%, a 70% o movimento, mas já aumentou e cada dia vem mais gente."

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De qualquer forma, o fluxo nas estações e nos trens que cruzam a Grande São Paulo ainda é bem inferior ao de fevereiro, mês anterior ao isolamento determinado pelo governo do estado. "A quantidade de passageiros deve ser perto da metade do que era", diz. 

Com 24 anos na CPTM, o atual coordenador operacional de uma equipe com 1.050 seguranças da empresa terceirizada Albatroz nunca havia visto situação parecida, com pessoas mudando hábitos para evitar a contaminação. "Ninguém mais se abraça ou toca as mãos." 

Mas, faz a ressalva, há algumas semanas os usuários da CPTM pareciam mais tensos que agora. "Já conversam e estão próximos, descontraído", analisa. "Está todo mundo relaxando os cuidados."

Santos comenta que é a primeira vez que tem medo de ir trabalhar. "Tenho família e, apesar de todas as proteções que utilizamos, sei que posso ser infectado."

Os seguranças da Albatroz usam máscaras, passam constantemente álcool gel nas mãos, que precisam também ser lavadas e mantêm distância de colegas de trabalho e passageiros.

Mesmo assim Santos tem dormido mal, preocupado. Recentemente, um dos integrantes da equipe morreu por insuficiência respiratória. Tinha 36 anos. "Ninguém sabe se foi por causa do coronavírus, Não saiu resultado e, na situação em que estamos vivendo, talvez a gente nunca saiba o que aconteceu com ele."  

Entre as novas funções trazidas pelo vírus está a dispersão de grupos e a orientação para evitar proximidade. "Nunca tivemos grandes problemas. As pessoas entendem que aglomerações são perigosas e tentam manter distância nos vagões, na medida do possível, claro."

Facilita o trabalho a queda no movimento e a redução dos vendedores ambulantes. "Eles continuam indo, mas em quantidade bem menor, até porque há menos chance de venderem qualquer coisa", afirma o chefe de segurança.

Helcio Marcelo dos Santos espera que a propagação da covid-19 não se estenda por muito tempo e leve o menor número de vítimas. "É ruim até imaginar o que essa doença pode fazer com as pessoas humildes, sem condições de se proteger e se tratar. Que isso tudo acabe logo e saiamos vivos disso."